Arquivo mensal: junho 2012

Nova Ordem Ecumênica

Não se assustem com o tom de seriedade deste texto.

O catolicismo perdeu sua força no Brasil, conforme revelou o Censo brasileiro de 2000. Uma vez que o percentual de católicos, que atingia 83% em 1991, caiu para cerca de 73% nove anos depois, nota-se o crescimento da religião evangélica, que passou de 9% para 15% no mesmo período. Esse declínio católico reflete a inadequação do tradicionalismo das autoridades eclesiásticas frente a assuntos em discussão na sociedade, como o casamento entre homoafetivos.

Uma vez que o catolicismo sempre sofreu com a perda de fiéis, processo que teve início com o cisma que dividiu a Igreja em Ortodoxa e Católica Romana, o que mais chama a atenção na constituição atual do panorama de religiões no Brasil é a ascensão das Igrejas Evangélicas. Visto que ocorreram diversas subdivisões desde a Reforma Protestante, o espaço da Igreja Católica diminuiu, como analisa Antônio Pierucci no texto “A encruzilhada da fé”. Além disso, o sociólogo Max Weber citava o protestantismo como “a religião do capitalismo”, uma vez que uma de suas bases é enaltecer o trabalho. Desse modo, em uma sociedade pós-Guerra Fria, onde o capitalismo venceu seu último inimigo, a consolidação de uma religião que vai ao auxílio dos interesses de mercado, em vez de condená-los, como ainda faz o catolicismo, é perceptível. Assim, a manutenção de tradicionalismos arcaicos apenas endossa a perda de espaço pelo catolicismo nos últimos anos.

Entretanto, o catolicismo permanece absoluto nas regiões norte-nordeste, onde o percentual de católicos é de aproximadamente 85%. Isso tem raízes históricas, perceptíveis por meio da análise da estreita ligação entre a religião e os movimentos sociais dessa região, como a Guerra de Canudos, ligação que demonstra a influência que uma figura messiânica teve sobre uma população. Por isso, a influência que o catolicismo exerce sobre a sociedade, mesmo que em declínio, ainda deve ser considerada. Além disso, ficam evidentes as tentativas de modernização e secularização, ainda que isoladas em algumas vertentes católicas.

Ainda assim, o estabelecimento de uma sociedade utilitarista e globalizada limita organizações com um histórico de dificuldade de adaptação, como a Igreja Católica. Dessa maneira, chama a atenção a expansão de múltiplas Igrejas que operam em um regime fordista. Portanto, em tempos de capitalismo globalizado, é assim que as Igrejas têm de ser para continuar a sobreviver.

Voltemos à programação usual.

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