Olha o LANÇA

Clock Tempo estimado para leitura: 16 minutos (?)
Em fevereiro desse ano (no momento em que escrevo esse texto, ainda estamos em 2015, visitante do futuro), a excelente revista VICE publicou o artigo “A Silenciosa Epidemia de Lança-Perfume no Brasil“. O artigo vale a leitura, porque além de bem escrito é o prelúdio pra tudo de que esse texto espera tratar. Sério, se puder gastar uns minutinhos, leia. Eu já havia ouvido falar sobre lança-perfume e loló, embora numa quantidade que poderia ser contada nos dedos, no máximo incluindo alguns dedos dos pés. E uma porção ameaçadora dessas vezes tinha muito a ver com a imagem que eu vou mostrar daqui a pouco. É só clicar no continuar lendo!

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O trombadinha que cheira cola e te corta com um estilete tentando roubar seu relógio. O pivetismo é tão associado com os inalantes que era impossível não me distanciar nas poucas vezes que um professor mencionou essa classe de drogas. Porque, você sabe… tem maconha que está na moda por sua medicinalidade… tem cocaína que nunca saiu da moda e, caramba, tem o crack que é o maior personagem da crônica jornalística brasileira. Falar sobre loló em 2015 soa tão anacrônico e não-produtivo quanto usar um mouse de bolinha pra jogar aquele dotinha. Vocês lembram que enchia de sujeira naquilo? Será que a gente limpa melhor nossas mesas do que em 2002 ou essa sujeira está indo para outros lugares? Enfim.

Um dos objetivos desse texto é que vocês mudem essa imagem da sua cabeça. Não a excluam, mas adicionem elementos a ela. Se não havia nada na sua cabeça anteriormente, pelo menos nada ilustrando os tópicos “drogas inalantes”, melhor ainda. Outro objetivo é tentar dar a mínima visibilidade para o assunto. Então vamos dar início à taxonomia dos ruminantes (sempre que tiver um termo que parece um link em itálico, coloque o mouse em cima porque tem uma definição):

Inalante é uma definição ampla pra substâncias voláteis que têm potencial de abuso. Ela é tão ampla que a maioria das substâncias dessa classe de DROGAS são legalizados e têm baixo custo. São alguns exemplos acetona, fluido de isqueiro, benzina, enfim. Na minha infância eram famosas entre a piazada as propriedades místico-alucinatórias do GÁS DE BUZINA. Então vocês imaginam por que a cola de sapateiro era a droga de escolha de uma criança marginalizada e com pouca grana. Acontece que não foi SEMPRE assim…

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Buzina da alegria

Se você leu um certo conto da CRALICE LISPECTO chamado “Restos de Carnaval” vai notar que um dos restos do Carnaval era o pouco que sobrou num tubão de lança-perfume. O pessoal usava lança-perfume, uma versão industrial que mistura éter, clorofórmio e cloreto de etila com essências perfumadas. Usar lança-perfume era muito comum nos carnavais desse nosso Brasilzão por volta de 1900 e bolinha. Quer dizer, era geladinho e te deixava eufórico e molenga… até que a galera começou a morrer. O que levou à proibição do lança-perfume, mas que na real nunca deixou as festanças. Como já não dava mais para fabricar o treco em larga escala, quem assumiu a responsabilidade foi a famosa química de fundo de quintal. E isso democratizou a receita.

Surge então uma mistura clandestina. É o (cheirinho da) Loló, misturas de uma miríade ingredientes de origem duvidosa, no maior estilo combinações, permutações ou arranjos. Desculpe, eu já não lembro qual é qual. A volatilidade dessas substâncias permite que elas atravessem as barreiras do seu corpo que deveriam te proteger dos TÓXICO. Isso faz com que os inalantes causem um efeito depressor sobre seu sistema nervoso central (semelhante ao efeito do álcool). Mas, na real, o fato de ninguém saber o que realmente vai no Loló é que complica. As receitas variam drasticamente de fábrica clandestina a fábrica clandestina e têm um potencial infinito de dar merda. E dá.

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Tudo perfeitinho de acordo com as últimas legislações da Anvisa. Prontinho pra receber a visita do fiscal da Vigilância Sanitária. Vocês sabem. Nos TRINQUE.

Dá merda quando morre um menor em um fluxo, em um episódio vinculado ao uso de lança-perfume, seis meses depois do artigo publicado pela VICE que eu mencionei lá em cima e você nem leu. E dá merda quando isso passa despercebido pela mídia de modo geral. Okay, um tempo depois que eu comecei a pesquisar sobre essas atrocidades o Fantástico fez uma reportagem sobre o assunto. Mas agora que eu comecei MIN DEIXA seus jornalistas profissionais.

Quando eu comecei a pesquisar sobre o assunto, me lembrei de algo que aconteceu em uma visita que fiz com um projeto de extensão da faculdade. Eu visitei uma escola não-tão-periférica aqui de Curitiba e uma das crianças ficou abismada que no nosso JOGO DA MEMÓRIA DAS DROGAS não tinha “moranguinho”. Espera. A gente não estava DANDO drogas para as crianças. Sério. Era só para elas relacionarem efeitos da intoxicação com a droga em questão. Duas coisas eram espantosas.

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Moranguinho, a borracha com cheirinho!

A destreza das crianças (sim, crianças de 7 a 12 anos de idade) em relacionar efeitos com a droga, maior inclusive que a de alguns professores que tentaram o jogo – não sei se isso me deixa mais ou menos preocupado. Um parênteses é que elas realmente não tinham ideia do que era heroína direito. Isso me deixou preocupado e aliviado ao mesmo tempo, porque isso denota um parco conhecimento do cenário internacional das drogas. E principalmente a quantidade de informação escabrosa que surgia daquelas crianças. Pra mim ficou bem claro que não é lendo a mísera página-e-meia do grandioso “Dependência Química” by DIEHLS et al que eu iria aprender algo sobre lança-perfume. A falta de conhecimento ~~ acadêmico ~~ publicado sobre o assunto já denota a marginalidade do tema. Gente, o livro tem 528 páginas ao total. E uma página e meia sobre inalantes?

Fui para onde qualquer pessoa que quer informações DE VERDADE sobre drogas. Num fórum da internet. Mais precisamente o www.drugs-forum.com que ensina por exemplo que se você comprou heroína de má qualidade é melhor acidificar com vitamina C. Lá eu aprendi que os inalantes tem vários padrões de consumo, com graus crescentes de capacidade de intoxicação.

Sniffing é quando você joga o inalante e faz o famoso “sniff, sniff”. Basicamente o mesmo que estar checando se o mau cheiro que inundou o ambiente está vindo da sua própria axila, porém com objetivos bem menos nobres. Depois vem o huffing, que é basicamente liberar o inalante num pano até “encharcá-lo” e depois baforar do pano. Esse eu conhecia. Para você ver como essas coisas são GRITANTEMENTE AVIZINHADAS, na minha infância vi muito moleque BAFORANDO camiseta encharcada de desodorante. Eu não sei como esse tipo de conhecimento se origina, mas sei que ele tem uma fundamentação científica sólida e uma capacidade de disseminação certeira. E os maiores interessados – profissionais da saúde, por exemplo – simplesmente não tem a MÍNIMA IDEIA disso.

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Eu não sabia o que por pra ilustrar essa parte então resolvi colocar isso.
Pareceu APROPRIADO.

Por fim dusting é mais extremo. Seria inalar diretamente o conteúdo. Tipo apertar o spray de desodorante na sua narina. Não parece convidativo. Bagging por fim é colocar o inalante, em forma líquida, dentro de uma sacola e respirar exclusivamente daquela pequena atmosfera nefasta. Isso nos traz de volta àquela imagem que eu pedi para vocês esquecerem. O que a topeira humana que escreve esse post levou 21 anos para descobrir, o menino já sabia, infelizmente, muito mais novo. A forma de uso que leva à maior disponibilidade da droga no organismo seria o bagging.

E o que acontece quando você fica chapado de inalantes? Como eu disse, os efeitos são muito parecidos com os do álcool (os mecanismos de ação, até onde se imagina, são muito semelhantes). Fala arrastada, tontura, perda de controle, confusão, alucinações. Mas não é só menino de rua que usa. Então para entendermos o impacto das graves consequências de uma intoxicação por inalantes, vamos ter que delinear um pouco melhor o perfil do usuário de LANÇA. Pausa pra música. Sério. Dá play.

Essa música sintetiza muita coisa. Ela dá um insight nos efeitos da droga (lança que deixa o pé gelado, olha o tuim) e no contexto do uso (quem não bafora aqui, aqui não dança). Pensem seriamente nas implicações dessa frase. Quem não bafora aqui. Aqui não dança. E antes de querer apedrejar o CARISMÁTICO MC Bin Laden, volta ali na reportagem do Fantástico – que eu duvido que você clicou – e olha o que ele fala:

“Eu não tô pegando a pessoa no braço para usar. Tô cantando a realidade do que tá acontecendo”

Se você tá com a pedra na mão, guarda ela do ladinho, escuta o tio, vamos ver se você muda de ideia. Que realidade seria essa? Certamente não é a minha, até onde eu saiba não tem ninguém que eu conheço baforando lança-perfume… oh wait. Eu conheço sim. Eu sei que o famoso lança-perfume é lugar comum em algumas festas organizadas por cursos de Medicina. Gente, isso não é censura, não é crítica. É uma dúvida. Por que parece tão mais plausível levantar a pedra para o MC Bin Laden cantando piadinhas internas sobre lança-perfume do que levantar a mesma pedra para universitários fazendo piadas internas em páginas de Spotted’s da vida?

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MC Bin Laden tem bem mais ginga que muito sertanejo universitário

Mas apesar de compartilhar uma parte da realidade com Bin Laden e sua trupe, o que exatamente faz as pessoas em geral adquirirem dois pesos e duas medidas? É a parte da realidade que NÃO é compartilhada. É a situação econômica favorável dos universitários, é a posição educacional confortável. Eu sei que já é 2015, mas vá nos comentários do vídeo do coitado do MC Bin Laden.  É quase pior do que comentário de portal de notícia. A quantidade de gente que aparece lá só para deixar um “Q lixo 👌👌 e depois chama essa merda de música“. Nem sabia que o WordPress tinha compatibilidade com emoji. Vivendo e aprendendo.

Sra. Baila Nialeski (nome FANTASIA da autora do comentário: para evitar o famoso processinho – mentira só troquei o B pelo N). É música sim. Eu sei que é difícil quando a gente é adolescente e gosta muito de um estilo musical e aquilo diz muito sobre nós para o nosso cérebro adolescente, sedento pela reafirmação de uma identidade e uma das maneiras de reafirmar a minha identidade é desprezando a dos outros. Eu sei disso. Eu já passei por isso. Pior de tudo é que eu achava que Metallica era bom. Imagina só. Mas é música sim, Metallica também. Eu só te peço para, caso leve à frente o processinho, incluir a definição de música no relato do ocorrido para que o júri tenha a capacidade de aferir o mérito da música Lança de Côco, que não é também uma música de merda, embora um erro no acento circunflexo pudesse ter dado essa conotação a ela.

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Separados por um assento. Foi difícil achar essa imagem.

Quando alguma coisa INCOMODA a gente, convém um exame de POR QUE isso nos incomoda. E para além dos adolescentes roqueiros, tem muita gente grande que se incomoda com o que essas músicas significam. Afinal MC Bin Laden não é uma criatura mística que escreve sobre coisas que ele não tem a mínima propriedade. Ele não está isento da regra que faz com que cada trabalho de ficção emerja da realidade. E quando a criatura DIZ que está cantando a realidade, é melhor acreditar nele. Vendo a discografia do Bin Laden você encontra os componentes dessa realidade: criminalidade, sexualidade… ok, velhos conhecidos do funk, mas um novo componente acompanha quase todas as músicas (TODAS as músicas se você considerar os clipes filmados em câmeras DSLR e equipamentos profissionais).

São as marcas. De carro, de óculos, de moto, de roupa. Não é à toa que o Bin Laden tangencia importantes elementos do funk ostentação. Eu até entendo o famoso cidadão de classe média ir com vários pés atrás em músicas que abordam sexualidade de uma forma completamente não burguesa e mencionam o passeio dos fuzis que deus me livre – já pensou uma bala perdida. Essa realidade é hostil e faz o cidadão de classe média querer fugir. Mas as roupas de marca não deveriam aproximar esses dois mundos? Claro que não, porque tudo o que o cidadão de classe média MENOS QUER é que essa realidade hostil se aproxime dele. Ver um favelado, gravando clipe de atrocidade musicada vestindo o moletom da GAP que eu parcelei em oito vezes no cartão dá raiva.

Dá raiva de ver um pivete desses ocupando o lugar que era meu. “Mãe, o favelado tá usando a mesma roupa que eu“. Ok, talvez a maré está meio brava até para a nova classe C, mas é inegável que o Brasil viu várias manifestações de incômodo quando a pobraiada passou a ocupar lugares antes inóspitos – pelo menos aos rolezeiros, aos agora-agraciados-pelo-acesso-à-saúde, enfim. Isso é representativo da classe média inteira, óbvio que não assim como MC Bin Laden não é representativo de seu gênero musical. Mas é impossível não admitir que o ranço com o funk esconda um pouco de medo de ter seu lugar seu lugar socioeconômico ocupado.

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Todo mundo tem medo de ter seu lugar ocupado por outra pessoa

O funk ostentação, que é um movimento que surgiu como uma variante paulista do funk carioca, se expressa – ou melhor – ostenta nas letras, na vestimenta e… nos dentes. Eu estou gastando tanto tempo nesse contexto porque eu realmente quero que você repense a figura do menino de rua. Algo que virou piada na internet foi o aparelho de dente, presente na boca de 15 entre 7 cantores de funk ostentação. Dá uma olhada nessa pesquisa no Google e gaste mais uns minutinhos dando uma procurada e você vai entender do que eu estou falando. Mas você já parou pra pensar por que OSTENTAR um aparelho de dente? Provavelmente não porque você SEMPRE teve acesso a isso.

Provavelmente não porque acesso à saúde NÃO ESSENCIAL SEMPRE foi um direito garantido a você. Quando você OSTENTA – mesmo que não precise usar aparelho – algo que custa uma manutenção de R$ 100 mensais, você está entendendo o que eu quero dizer? É claro que essa gente vai incomodar a classe média quando for tomar vários cafés na máquina depois de fazer exame de sangue. É porque “pobre adora fazer exame”. E é sim motivo de comemoração, do tipo vestir a melhor roupa, fazer festa, quando você finalmente pode por os pés em um consultório de dentista. E na boa, pode levar a filharada para tomar café na máquina. E pode fazer barulho. Podem continuar ostentando essas vitórias que nós sempre tivemos garantidas e nunca vamos saber o sabor de conquistá-las.

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Você tá achando graça? Tente pensar o que esse ~~humor~~ pode dizer sobre você.

Um último off-topic monstruoso para fechar: eu acho pobre – com o perdão da palavra – analisar um lado da moeda apenas. Se o que eu falei está correto, tem de estar em conformidade com a Terceira Lei de Newton. Chega de olhar para a pobraiada e atribuir minhas significações ideológicas para cima deles. Vamos olhar para um objeto mais imparcial. As marcas. Eu lembro que antigamente, você notava uma clara diferença na APARÊNCIA de roupas de marcas e roupas de lojas mais baratas como C&A e Renner.

Isso porque as marcas monopolizavam não somente os materiais, mas a técnica e principalmente o estilo. Era muito caro ser fashion antigamente. Mas quando as lojas mais baratas passaram a se importar mais com o design, acabamento, as técnicas ficaram mais acessíveis, enfim, ficou provado que você conseguia fazer uma roupa EXATAMENTE IGUAL que custava muito menos. Eu fiz uma brincadeira, quando apresentei esse assunto numa reunião, em que eu falava que era virtualmente impossível diferenciar uma camiseta polo genérica que custa 10x menos que uma Ralph Lauren. E é mesmo. A única diferença que se mantém entre uma camiseta de marca e uma genérica é pasmém… um logotipo. E num mundo em que cada vez mais diminui a disparidade entre uma camiseta de marca, em termos de qualidade do tecido, acabamento, consonância com as tendências, a última diferença restante, fica cada vez maior.

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Parece acurado

E é isso. Estamos analisando um objeto, mas lembre-se que pessoas compram essas camisetas. E não é por acaso que essas mudanças na moda acontecem. Agora que você conhece um pouco melhor a realidade cantada pelo Bin Laden, que tal vermos como o amante das ciclofaixas Fernandinho Beira-Tietê Haddad lida com essa realidade?

Claro que não lida. Nessa entrevista que eu linkei acima, concedida à mesma maravilinda revista VICE, o prefresco joga a responsabilidade na Polícia e dauhuhdsahuda – desculpem a risada – na própria comunidade. Amigo, tem criança morrendo e por mais que eu acredite que isso seja um problema de Polícia (polícia matando criança, no caso), é antes de tudo um problema de saúde. Porque intervenções podem e DEVEM ser feitas, porque essas mortes são EVITÁVEIS. Esses processos de adoecimento exibem DIVERSOS pontos em que algo pode ser feito. Pela Prefeitura de São Paulo, acredite o senhor!

Inclusive parte da minha atuação no projeto em que vivenciei as crianças falando sobre moranguinho (que by the way é loló com essência de morango), é um trabalho de PROMOÇÃO DE SAÚDE. E se uma dúzia de alunos em uma universidade conseguem fazer isso sozinhos, com a verba incerta e ínfima do governo federal, como será que a prefeitura da maior cidade do país pode ter tamanha dificuldade?

Mas é claro, a dificuldade é só um pretexto. O fato é que o lança-perfume ainda tá na periferia, tá à margem. Não bate na porta do vidro fumê pedindo dinheiro para comprar pedra de crack. Não faz teu netinho subir o morro – no nosso caso ir na praça Osório – comprar uma trouxinha de maconha mofada. Mas, lembrando o que eu disse sobre as festas da Medicina, essa realidade não é tão longínqua assim para ser tão solenemente ignorada. É tudo uma questão de para onde o spotlight tá voltado.

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Opa, eu acho que me enganei. O spotlight desse aqui já passou.

Tem estudo da USP ganhador do Prêmio Saúde 2014 chamado “Transições de uso de drogas entre universitários brasileiros“ que adotando a velha ideia da porta de entrada coloca os inalantes como a 2ª porta de entrada, atrás apenas da maconha, aumentando a chance de uso para todas as outras classes de drogas. No artigo os inalantes ocupam um tímido 4º lugar (atrás de álcool, cigarro e maconha – lol), com 16,6% dos entrevistados admitindo terem usado a droga. Mas em Fortaleza e na Bahia, o percentual de uso na vida entre estudantes de medicina beirava os 50%. Ah, mas a culpa deve ser da micareta né…

Isso não é demonização, pelo amor de deus, quem me conhece sabe que a minha ideia para com as drogas nunca foi essa. Isso é uma tentativa de despertar a noção de que o consumo de inalantes existe e, como todos os problemas de saúde pública, está atrelado a um contexto socio-econômico-cultural. E antes que o senhor que já pegou a pedrinha de volta para jogar em mim dessa vez, obesidade também passa pelos mecanismos de adicção, num Brasil onde a maioria da população já se encontra em sobrepeso e também é um problema de saúde pública totalmente linkado a um aspecto socio-econômico-cultural. É esse nosso papel como profissional da saúde? O de recusar a ver como um problema de saúde pública a futura aterosclerose de metade da população brasileira que “decidiu se perder no mundo do McDonalds”?

Isso está acontecendo, você pode não concordar com a maneira com que eu expus, mas isso é até melhor. Porque o que você vai fazer a partir disso? Você futuro pesquisador, médico da família, psiquiatra, arquiteto, jogador de Hearthstone, eu não sei quem lê – se é que leem – meu blog. Se esse exercício de 3000 palavras foi minimamente útil, em qualquer esfera da sua vida, eu já fico feliz. Mas se não foi, eu não posso oferecer estorno de tempo. Aproveita e fecha a aba rápido para não perder mais tempo.

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Olha a sugestão para a fantasia do próximo INTERMED

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