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Sobre educação

Vendo esse vídeo, o tema me surgiu e pareceu bastante oportuno. Porque, vamos ao choque de realidade: eu estudo desde 1998. Seria natural supor que, de todos os assuntos possíveis, esse era um dos que eu mais profundamente poderia discutir. Mas… não. Eu me sinto mais confortável em dissertar sobre a coleção do Pequeno Vampiro à qual eu dediquei, vamos supor, uma dúzia de horas da minha vida em comparação as quase cinco horas diárias desde a invenção do Google que eu dediquei à educação.

Educação de quem, exatamente? Educação de quê?

Eu passei no vestibular, o que me garante estudar, no mínimo, até 2019. Mas seria, como observa o senhor Izzy Nobre no vídeo citado, o vestibular o “diploma” que justificaria os quinze anos que passei estudando? Inicialmente, eu não pude deixar de assistir ao vídeo segurando uma vontade irreprimível de discordar. De dar coro aos professores que justificam as “matérias inúteis” como desenvolvedoras de habilidades que, essas sim, seriam “úteis”.

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Essa é a tia Doroteia, uma vampira sanguinolenta. Mas poderia ser sua professora do primário. Viu como a escola é do mal?

Pode parecer um conceito raso, o da simples utilidade, mas, novamente citando o vídeo – que é bem provável que você não tenha assistido -, nós vamos morrer véio. Nós já temos a internet para gastar nosso tempo com inutilidades. Que na educação, ao menos, as coisas sejam mais proveitosas. Ou que usemos a internet tanto para inutilidades quanto para utilidades.

É verdade, não é possível que aprender matemática – das operações básicas à forma trigonométrica de um número complexo – não tenham sido nem um pouco úteis. Ou talvez eu me recuse a acreditar que dediquei tanto tempo a algo que não fez por mim o mesmo que eu fiz por ela. Eu gostaria de ser pago cada vez que eu penso que as tentativas de definir – e, pior, quantificar – inteligência foram bastante bizarras.

Eu conheço várias pessoas brilhantes que simplesmente não se dão bem com a forma com a qual se mede a inteligência atualmente. Não é possível que alguém realmente acredite que toda a capacidade intelectual de alguém está no assinalar correto de uma questão num vestibular. Ou de oitenta delas.

vestibular-1A. B. Nogueira enquanto presta vestibular para Administração. Ela queria mesmo era fazer Engenharia de Tirolesas. “A inteligência de 200 mil anos de evolução como Homo sapiens sendo aferida em Múltipla Escolha. Vocês tão fazendo isso certo”, ela comenta ao final da prova.

Isso indica que, surpresa, a pessoa é boa ou ruim na resolução daquela prova, em específico. É contraditório que o formato da educação exija que a pessoa seja simultaneamente boa em matemática, biologia, português – áreas tão diferentes do conhecimento – e tenha um único método de aferir essas competências. Calma, que eu estou escutando alguém reclamar sobre provas discursivas, redação, blá blá blá.

Nenhum vestibular ou prova vai contemplar – jamais – a totalidade de estudantes que a eles se submetem. Será, no máximo, efetivo para os que forem aprovados e, às vezes, nem isso. É risível pensar na quantidade de gente que passou no vestibular por sorte. O problema é que as pessoas passam a vida inteira buscando reiterar sua individualidade quando uma coisa mais importantes passa por uma ditadura da coletividade.

Eu não acho que o caminho apontado pelo Izzy Nobre seja ruim (ele sugere algo mais aos moldes da educação estadunidense – onde o estudante, já no high school, entra em contato com matérias optativas “mais úteis”). Mas ainda assim soa como uma solução parcial. Afinal, como definir as matérias oferecidas? Será que contemplaríamos justamente todas as possibilidades?

Para mim, falta uma certa autonomia. Eu sou suspeito para falar sobre isso. Porque a ideia de homeschooling sempre me atraiu. E eu acho que essa é a forma perfeita de fornecer uma educação que, em vez de limitar ou restringir potenciais em nome de um currículo uniforme, os magnifique. O MEC exige uma formação a nível de ensino médio para a Educação Infantil (creches e pré-escolas). E Pedagogia ou licenciaturas para o Fundamental e Médio.

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Os invejosos dirão que é fake.

Ou seja, a maioria dos pais poderia pelo menos nos primeiros anos atuar como educadores. E melhor: sendo, além de professores, pais (dã), eles poderiam determinar, em conjunto com a criança, os próximos passos da própria formação. Há diversas possibilidades. Como a utilização de conteúdo digital, como o projeto CrashCourse dos irmãos Hank e John Green ou a Khan Academy.

Apenas para citar outros projetos, vsauce, SciShow, minutephysics, asapSCIENCE, TED, CGPGrey, periodicvideos, SmarterEveryDay, minuteearth. E isso apenas dentro do espectro que reúne as matérias “tradicionais” (biologia, química, física, geografia, história, literatura). O YouTube permite, por exemplo, contato com uma infinidade de outros campos. Apenas citando, o incrível canal thebrainscoop (que fala sobre taxidermia, biologia, museus e muitos, frise muitos, animais mortos ) ou o indymogul que tangencia diversos aspectos da produção cinematográfica.

São uma parte, na verdade, da imensa quantidade de conteúdo disponível na internet. Eles compartilham algumas coisas em comum. Primeiro, todos utilizam uma didática audiovisual que muitas vezes excede a capacidade de qualquer professor ordinário (no sentido exato da palavra). Segundo, todos estão em inglês. Com algumas exceções, em que há alguma legenda disponível, a maioria impõe uma barreira linguística.

Mas a ideia aqui é básica. Se você tem indivíduos bilíngues (e o devido incentivo), você consegue tornar o conteúdo mais acessível. Tome esse exemplo. Não tem como se atribuir um peso menor para a importância de aprender o inglês. Mas isso não ocorreu na minha vida estudantil. Estudei até o primeiro ano do ensino médio em uma escola pública, que foi uma sucessão de professores despreparados e relapsos, falta de foco e lições que pareciam tão conectadas com o mundo real quanto o socialismo utópico.

Na escola particular, a realidade não foi tão diferente. Se aprende inglês de maneira tão fragmentada (muitas vezes, simplesmente omitindo o listening por completo) que me dá até ânsia. A maior parte do que aprendi, fiz sozinho. E não é difícil. O meu eu infanto-juvenil acabou se guiando e aprendendo. Imagine o que não pode ser feito com a devida orientação.

A licenciatura como existe está errada. Ao se isolar numa universidade o professor perde contato com a realidade e raramente vai conseguir voltar. Depois, é obrigado a se sujeitar à matriz curricular definida pelo MEC e, bem, vocês sabem o final da história. Essa figura ainda é necessária, porque não adianta você adquirir um otimismo empolgado com a revolução educacional pela internet sendo que o mundo ainda continuará com os vestibulares.

Mas se você, num futuro próximo, planeja aumentar a população mundial, pense carinhosamente em participar mais da educação da sua prole. Descubra, com eles, quais são suas habilidades, defeitos, vontades. Tente, ao máximo, reverter o processo de enjaulamento e seleção de “habilidades ideais” que recebe o nome de educação formal. Se for surrar seu filho, deixe a cinta de lado e bata nele com exemplares da literatura universal. Okay, talvez é melhor não. Ninguém quer que seu filho fique com trauma de Shakespeare.

Eu pretendo ter meios financeiros, judiciais e de tempo para, caso eu tenha filhos, educá-los em casa. Eu sei das dificuldades a que eles – e eu – estaremos sujeitos, mas acho que valerá a pena. E para quem acha que o convívio social ao qual se é forçado quando educado em uma escola tradicional é imprescindível: ministrarei, eu mesmo, aulas de “Como As Pessoas Costumam Ser Bastante Escrotas e Esse é o Comportamento Padrão, Então Se Acostumem”.

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Professor titular das aulas práticas de “Como As Pessoas Costumam Ser Bastante Escrotas e Esse é o Comportamento Padrão, Então Se Acostumem”

Sei que abordei um pouco levianamente o assunto, então, por favor, deixem comentários que eu retomarei o tópico. Mas eu estou tendo uma crise de rinite e tá difícil viver no momento.

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Livros de inverno e literatura “de verdade”

Eu corro dois riscos escrevendo esse post. O primeiro é o de soar repetitivo. Afinal, tenho a impressão de que já discorri diretamente sobre o tema em pelo menos dois posts e indiretamente em outros tantos. O segundo risco é o de ser um tempo gasto inutilmente. No entanto, eu venho remoendo o assunto há mais de nove horas, desde que li esse artigo.

Dando vazão a minha insônia, aqui estou eu. E a única impressão que tenho sobre o artigo (se você não o leu, leia, talvez discorde de mim, o que seria ótimo) é que é pura dor de cotovelo. Imagino o diálogo interior travado pelo autor do texto. “Porra, aquela merda tá vendendo milhões”. “Qualquer um podia ter escrito aquilo lá”. “Não acredito que 50 Tons divide estante com Machado de Assis, indulgentemente relegado às traças e a edições meia boca”.

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“Ora, é claro que tu podes tirar um retrato, porém tu precisas ser rápido visto que a sessão de autógrafos com o gênio que escreveu esse livro já está para acabar”

Imagino que o juízo que Hatoum faz acerca de suas próprias obras não seja ruim. Mas ele prefere citar a literatura universal, numa espécie de tentativa de transmitir impessoalidade. Eu concordo que Graciliano Ramos tem uma técnica que ainda é muito superior à que Stephenie Meyer provou. É verdade que suas reflexões são muito mais profundas e mesmo o contexto histórico e a vida do autor poderiam ser argumentos que justificariam uma balança de qualidade pendendo para o lado dele.

Porém, isso não dá credibilidade a Milton Hatoum ou a qualquer pessoa para colocar o dedo indicador na sua posição predileta e rotular uma como melhor que a outra. Eu não entendo a incapacidade dessa corja intelectualizada em conciliação. Parece que não é possível haver um mundo no qual pessoas se divirtam com vampiros fluorescentes (a maioria delas em um processo de amadurecimento, que justifica completamente sua predileção por uma coisa mais simples) e outras que gostem de sofrer com a realidade seca das palavras de Graciliano Ramos.

Entretenimento e seriedade não são mutuamente exclusivos. O que justamente dá a Machado de Assis a sua genialidade é a capacidade que ele teve de traçar um perfil crítico da sociedade de sua época e a tornar até mesmo engraçada, sob as ironias que ele constrói. A literatura e, sobre ela, a arte fornecem um campo que pode ser preenchido de qualquer maneira. E isso a faz especial.

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“Aula de matemática básica pessoal! É possível somar as coisas. Literatura pode entreter e informar. Pode divertir e criar senso crítico. Pode até ser erótica! Ou melhor, pode ser, ao mesmo tempo, tudo isso e ainda mais. Mas não há nada de errado se ela for apenas um desses”

A leitura é uma forma de entretenimento. Subjugar a literatura de entretenimento é o mesmo que arrancar um braço de um polvo. Você provavelmente vai poder contar para os seus amigos (ou escrever sobre isso no Estadão), mas na verdade nem você nem o polvo vão lucrar. Atacar a literatura prazerosa e despreocupada é subtrair funções da literatura. É diminui-la.

Na tentativa de compreender as motivações que levaram Hatoum a atacar a literatura de entretenimento, só me vem a imagem da dor de cotovelo. Talvez, naquele mesmo diálogo interior, ele foi confrontado com uma voz acusadora, que dizia “Então por que não fez?”. Não, ele não poderia baixar o nível, afinal, supostamente a literatura de verdade deve englobar as características que definem as obras citadas aos caminhões naquele texto.

Mas eu te digo algo. Talvez a literatura de entretenimento seja a mais importante de todas. Quando sair uma biografia do Hatoum, eu provavelmente vou querer comprar, porque ao que parece ele lia Schopenhauer no ventre materno. Se ainda lhe parece justificável rotular as coisas dessa maneira, os livros de verão são um belo portal para uma posterior imersão na literatura “de verdade”. Eu fico imaginando se Hatoum definiria sua própria obra como livros de verão ou literatura “de verdade”. Creio que ele argumente que o tempo se encarregará de provar o que é essa tal de literatura de verdade.

Note que, no título, ele tomou o cuidado de se referir à suposta “baixa literatura” apenas por “livros”. Livros são entidades físicas, terrenas. Já a literatura é algo metafísico, transcedental e por assim vai. Isso, somado à aproximação bisonha da literatura à solidão trazem a imagem de um menino fazendo birra. “Vocês não gostam da minha literatura porque não a entendem”. “Sou bom demais para essa gente”. O gênio incompreendido.

A literatura tem sim um quê de solidão, mas não era desse sentimento que Hatoum estava falando. Escritor, ele usou um eufemismo bastante oportuno. Isso porque a palavra “elitizada” soa um pouco mal. Mas é exatamente isso que Hatoum endossa quando parafraseia algum qualquer para dizer que literatura “de verdade” é para poucos. Nota-se que ele pouco se difere dos hipsters e indies, que regozijam fazer parte de uma minoria risível, apenas por ser uma minoria. É a ideia de exclusividade.

Foi a partir de livros infantis, muitos deles com função única de entretenimento que eu me formei como um leitor. Se eu nascesse um pouco mais tarde, teria sido um leitor de Crepúsculo. Sim, Milton Hatoum, espante-se com isso.. Leitores de Cinquenta Tons de Cinza. Leitores. É impossível que o exercício de ler 480 páginas seja nulo. Mesmo que ele aumente o vocabulário de seu leitor em uma única palavra, foi um exercício pouco rentável, mas ela existiu. Não o estou atacando pessoalmente, é uma observação extremamente fortuita: quando li Dois Irmãos do Hatoum, não me senti nem um pouco intimidado, nem um pouco abismado, nem um pouco “leitor de literatura de verdade”.

É aliás, com grande supresa que notei quem escrevia. Se fosse alguém escondido pelo anonimato, tudo bem, era justificável. Mas me admira que ele tenha elencado tantos autores consagrados quando não encontrei vários dos elementos que configuram, segundo ele, a literatura “de verdade” no romance do próprio Hatoum. Mesmo assim, se me perguntassem, hoje, se valeria a pena gastar tempo lendo o livro, eu diria que sim.  Se me perguntassem sobre qualquer livro. Eu diria sim.

Porque não há tempo perdido lendo um livro ou assistindo a um filme. Não há tempo perdido com arte ou cultura. Pois mesmo que ele seja de todos o que menos gostamos (sejam lá quais razões), ainda poderemos fazer como fez o senhor do artigo e colocar nossos neurônios para dissertarem. Mesmo que nossos cérebros derretam enquanto assistimos Big Brother, analisá-lo por uma perspectiva sociológica, por exemplo, certamente seria um exercício produtivo. Aliás, esse tema não encerra por aqui, porque vocês com certeza vão prestigiar uma apologia ao Big Brother Brasil.

Porque há algo muito importante sobre o nosso momento literário e artístico. E ele é tão incrível que acaba influenciando na forma com que lemos literatura de outros tempos e épocas. É a morte definitiva do autor. É a consagração da arte como domínio público a partir do momento em que ela é criada, afinal, ela nem ao menos precisa ser divulgada mais. O acesso é vertiginoso, instantâneo e generalizado. Hatoum sugere uma volta ao medievo, na qual umas dúzias de pessoas detinham a cultura do mundo inteiro.

A contemporaneidade dá ao leitor, telespectador ou seja lá qual for o receptor a capacidade de ampliação de sentido, de construção de significado, de maximização. O leitor muitas vezes é capaz de tornar uma obra muito mais valiosa do que ela era inicialmente. E esse é o problema de Hatoum. Ele ataca a obra, como se ela contivesse um mal. A obra é apenas um esqueleto do que ela pode ser.

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Milton Hatoum, aos dois anos, lendo um livro do Sartre. Ele diz que entendeu tudo!

A evocação de outras realidades deixa claro que ele sabe que não é bem assim. Que a educação tornaria maior o interesse por leituras mais complexas, mas como julgar um texto que tem um único parágrafo que parece apontar para isso? Hatoum sabe que é o leitor que dá dimensão à obra. Isso seria, de fato, solucionado por uma melhor educação. Mas será que é isso o que ele realmente quer? O retorno à ideia da fusão da literatura com a solidão (o que na verdade quer dizer que a literatura “de verdade” é para poucos), ao fim do texto, acaba com qualquer indício de que o autor realmente deseja uma literatura não-elitizada.

Afinal de contas, se todos lessem Coração das Trevas, sobre qual livro ele iria poder destilar toda a sua intelectualidade em um artigo? Quem sabe em um mundo de pseudointelectuais, a literatura de entretenimento virasse objeto de culto. Imaginem! Teríamos um Milton Hatoum atacando a literatura pesada e enfadonha, subserviente a inúmeras influências e tarefas, que precisa ao mesmo tempo ser veículo político, de entretenimento e reflexão.

Ele poderia até manter o título. Citaria J.K. Rowling, Stephenie Meyer e E.L. James. Tolkien também pode ser uma boa. Stephen King, por que não? Infelizmente, ainda não vivemos esse mundo de inversão de valores e a simples citação desses autores ainda é desvalorizada. Mas esperemos pelo dia em que será lugar-comum ler qualquer escritor russo ou um modernista espevitado. Será uma forma de argumentar e construir uma imagem intelectualizada, apenas enumerar autores fora do senso comum da época (nossos atuais escritores de best-seller), como se isso fosse prova de nossa sapiência.

A literatura é fantástica o suficiente para englobar mundos distintos. Não há conflito entre esses diversos universos, que muitas vezes se entremeiam e geram as obras primas. Sabe o que eu acharia graça? Se pudéssemos ressucitar Machado de Assis ou qualquer figurão da literatura e o sujeito escrevesse um elogio à literatura de entretenimento (numa máquina de escrever, porque ele teria que ir se acostumando gradativamente às novas tecnologias).

É triste que a cultura seja restrita e pessoas com opiniões como a de Milton Hatoum só ampliam esse quadro horrível. Para definir com clareza o quanto a literatura atual se baseia no domínio público, estou com o livro de Hatoum aqui. Eu sei que mal dá para ver porque, no meu protesto silencioso, eu o coloquei sob vários “livros de verão”. Tem Harry Potter, tem até o livro do Hugh Laurie. Mas pode deixar, seu Miltão, porque isso não é uma ofensa. Considero esses livros tão livros quanto os outros que tenho em minha estante. Ela é bastante receptiva e não tem preconceito.

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“Milton o quê?” “Hatoum” “Não entendi” “Hatoum” “Ã?” “H – A – T – O… ah, deixa para lá, vou levar esse aqui do Paulo Coelho”

Está lá Saramago, que não gosta de ficar muito perto da Bíblia, mas que se dá incrivelmente bem com Graciliano Ramos. Acho que são os resquícios de ideais comunistas. Tem ali também Machado de Assis, que eu acho que anda tentando se aproximar de Clarice Lispector. Acho que ele quer uma prosa intimista com ela. Mas, sinceramente, o lado mais engraçado da minha estante é o que reúne Gregório de Mattos e Veríssimo. Você não sabe o que eu escuto vindo de lá.

Eu vou dormir. Porque talvez consiga, pelo menos em sonho, ver Machado de Assis, despreocupado, com um sorriso no rosto, lendo Paulo Coelho. Ou, quem sabe, Dois Irmãos, do Milton Hatoum.

Uma apologia ao Natal e ao Papai Noel

Todo ano é a mesma coisa. Pessoas, motivadas sabe-se lá por quais desventuras da vida, atacam a crença no Papai Noel e no Natal como se sentissem pessoalmente ofendidas por elas. Essas pessoas, no entanto, não entendem o papel crucial que o Natal e o Papai Noel desempenham para o mundo e para a existência humana.

Todas as virtudes natalinas, personificadas no Papai Noel, contribuem para tornar o momento da ceia natalina uma ocasião especial. A gratidão dentro de um ambiente familiar, simbolizada pela troca de presentes; as mensagens de esperança para o ano vindouro. A presença do Papai Noel e do Espírito Natalino, que tantos afirmam não existirem, faz-se de modo explicitamente visível nessas manifestações de solidariedade.

120403111958-large-e1333549976442“O alcance da nossa solidariedade é apenas até aqueles que compartilham das mesmas crenças que a gente. Não é mesmo, amigas?”

Infelizmente, as atitudes muitas vezes não saem das portas de casas. É difícil romper a barreira que separa o nosso conforto de uma realidade que muitas vezes nos choca. Por mais que façamos amigos secretos e confraternizações entre amigos de trabalho e familiares, dificilmente ajudamos estranhos.

E se isso já ocorre em um mundo no qual a maior parte da população acredita no Natal e tenta viver suas virtudes, imagine o que não aconteceria em universo descrente. Não. Precisamos do Papai Noel para que possamos negociar a ética e educar nossas crianças desde cedo pelo quid pro quo. Por que (e como?) explicar para uma criança que mal consegue discernir o preto do branco que a ética é tão complexa que mesmo inúmeros séculos e filósofos se passaram sem que houvesse um consenso?

É preciso a figura simples e previamente construída do Papai Noel para que a criança engula mais facilmente o porquê de ela ter de suprimir seus instintos egoístas. “Se você for um bom menino, ganhará um presente de Natal“. Além disso, tendo em vista a realidade que ameaça as ruas (a violência, as drogas, a promiscuidade), é preciso dar a nossas crianças uma dose de esperança.

Mesmo que ela seja surreal. É preciso dar às crianças algo para acreditar. Há um vazio existencial na humanidade e antes preenchê-lo de fatias de peru e tender, com uma mesa farta e um tio bêbado falando besteira, do que correr o risco de deixar nossas crianças à mercê do mundo. E sabe o maior problema? É que se não fizéssemos isso, é muito provável que elas realmente se afundassem nas drogas.

Porque não as ensinamos a pensar. Nós as fazemos deglutir a magia do Natal, pois ela é um modo simples e efetivo de evitar um pequeno desastre. Mesmo que desconfiemos que haja outra maneira de ensinar uma boa educação a uma criança, é mais simples chantageá-la. E esse é outro motivo pelo qual defendo o Natal. Porque somos, afinal de contas, muito preguiçosos.

pai autoritario“Escuta aqui, eu sei que deixamos você assistir televisão o dia inteiro. E que ela fica te bombardeando com anúncios falando que você precisa ter as coisas. Mas nós também vamos à missa todo domingo. E você precisa entender que, a despeito da enxurrada de publicidade, nós somos submissos aos ideais judaicos-cristãos. Eu não vou te explicar que roubar as coisas é errado segundo uma visão que cria o conceito de propriedade privada, porque você é muito novo para isso e, francamente, nem eu não entendo. Eu só quero que você acredite que se ficar roubando, não vai ganhar presentes no final do ano. Entendeu?”

Também pudera: vivemos uma rotina árdua, na qual contam-se os dias da semana até o próximo feriado. O Natal não é apenas um momento em que você extravasa e expurga sentimentos ruins e estresse acumulados. Aquele pequeno rito é uma tentativa de não pensar. De se entregar ao destino. Passamos tanto tempo planejando nossa vida, gerenciando gastos, que é naquelas horas da reunião natalina que podemos nos confortar com a ideia de que não precisamos nos preocupar. De que há algo maior tomando conta de nós.

Mesmo que alguns considerem falsos os abraços, mentirosos os sorrisos, as fotografias de uma noite de Natal provam que talvez o efeito que as coisas tenham seja mais valioso que o custo de suas causas. Ver que, pelo menos ali, familiares que se odeiam fingiram não existir mágoas já faz valer a pena.

Afinal, uma mentira dita muitas vezes, por muitas pessoas, quem sabe, acaba se tornando uma verdade. Tudo isso só faz com que eu conclua que as pessoas que não gostam do Natal devem ter alguma coisa de errado. É verdade, o Papai Noel é praticamente uma invenção da Coca Cola, é uma festa do consumo, mas será que essas pessoas não enxergam a importância dessas figuras para a nossa cultura, para a nossa vida?

Eu não consigo acreditar em alguém que não acredite. E acho que é esse o meu erro. Eu vejo no Papai Noel e no Natal uma extensão da minha personalidade. Eu amo decorar a arvore natalina. Por não conseguir enxergar minha vida sem esse pequeno mimo, eu não aceito que outras pessoas digam algo que considero uma heresia. Mas ultimamente o mundo vai tão mal. Há tantas pessoas que não creem no Natal, que eu venho sendo obrigado a respeitá-los. Não por concordar com eles, mas porque eles são muitos.

Isso é difícil para mim. Porque apesar de a sociedade considerar polido e de bom grado que haja a tolerância, dentro da minha família há um ambiente muito ruim para aqueles que não acreditam no Natal. Nas reuniões que precedem as festas natalinas, o tema sempre retorna. Um dos meus pedidos ao Papai Noel é de que aqueles que não acreditam no poder do Natal passem a crer.

Porque seria horrível perder a chance de ganhar presentes no Natal. Por isso, qualquer conduta que seja improcedente com os valores natalinos é evitada. Não porque haja, de fato, um raciocínio sobre a ética e as justificativas desses valores. Mas apenas pela pressão social exercida, desde a nossa infância, que nos atemoriza sob a possibilidade de não ganhar presentes no final do ano.

mitosAlguns mitos são inofensivos, outros não.

É por isso que, às vezes, tenho pequenas discussões com amigos próximos. Eles insistem em dizer que algumas condutas minhas são desnecessárias. Tenho um amigo que fala que pendurar as meias de Natal é retrógrado, que é um hábito há muito tempo já desmistificado. Mas sou obrigado a dizer que não posso voltar atrás nas minhas crenças. Porque a minha criação diz que pendurar as meias de Natal é um dos pré-requisitos para que toda a magia natalina ocorra. Eu não posso correr o risco de perder meus presentes.

Como nosso senso de irmandade é muito forte dentro do período de Natal, e como cada um de nós sente-se pessoalmente identificado com a causa, vestimos a camisa e buscamos representação política. Não apenas isso. Acreditamos que o Natal fez tão bem para nós que ele deve ser passado adiante. Como não consigo enxergar um mundo sem Papai Noel, acho que todo o mundo deve acreditar nele.

Algumas pessoas me consideram radical. Acham que não devo querer expandir o Natal para além do 25 de dezembro. Mas, eu me pergunto, depois de tudo isso que eu falei, vocês não concordam que todo dia deveria ser Natal? De que se todas as pessoas acreditassem no Papai Noel viveríamos uma única irmandade, trocaríamos presentes, imagine! Um amigo secreto globalizado.

SantaJesus02paidPapai Noel e algum desconhecido apostando quebra de braços. Provavelmente um fã com uma ideia inusitada para a foto.

Pode parecer utopia, mas eu realmente espero que isso um dia aconteça. Acho que se todos realmente temessem perder seus presentes de Natal, não existiria mais crime. Todos seríamos felizes.

Um post sobre segurança na internet (para ser lido em uma voz-interior paternal e conselheira)

Olha, eu realmente sentia que deveria jogar no fogo naquele pedaço de papel verde que está jogado em algum canto da casa, caso eu não escrevesse esse post. Se aquilo (o RG, para os que não pegaram a metáfora) é a documentação física da nossa cidadania (ou seria o título de eleitor? ou os comprovantes de votação? quem saberá?), acho que me abster de escrever esse post me forçaria a tacar fogo nela.

O recado é bastante simples: tome cuidado com seus dados pela internet. Em recentes incursões, descobri que é bastante fácil, com o auxílio do Google e de um pouco de lógica, angariar não apenas dados levianos, mas coisas que poderiam ser bastante prejudiciais se usadas por alguém mal intencionado. Esse post é mais para repensarmos algumas situações que nos deixam bastante expostos, então vamos lá:

A maldita TeleListas.net é um ótimo ponto de partida. Esse site é um compêndio de dados que incluem seu telefone e seu endereço. Acredite, eu faria o mínimo de esforço de, se seus dados estiverem por lá, entrar em contato por aqui para pedir a exclusão. Entretanto, se você foi atento o suficiente para ler o rodapé, saberá que esse esforço pode ser em vão. Isso porque a maldita lista é atualizada automaticamente e seus dados podem ser reincluidos. Para a exclusão definitiva, é claro, é preciso ter mais dor de cabeça.

Esse é o momento em que parece dúbio se realmente vale a pena se preocupar com isso. Acontece que esses dados podem ser um ponto de partida valioso. Gente com sobrenome peculiar, como eu, costuma ser bizarramente fácil de encontrar, tanto em redes sociais, como em qualquer busca simples. Não sei quanto a vocês, mas apenas o fato de que alguém pode ter fácil acesso ao endereço da minha casa já me parece uma justificativa bastante plausível.

outro-estranho-no-ninho11Essa é a metáfora imagética para ter um sobrenome peculiar

De posse de um nome e de um endereço, qualquer um pode fazer uma ligação e se passar por uma empresa de qualquer coisa pedindo uma confirmação de dados. Pode parecer bobo, mas a maioria de nós nem sequer atentaria para a possibilidade de ser um golpe. Parece incrivelmente óbvio agora, porém tente realmente se imaginar em casa, quando o telefone toca.

A pessoa informa que é da empresa X, provavelmente uma que realiza tratamento de água ou fornecimento de energia elétrica na cidade (visto que há grandes chances de você ser cliente dela), informa seu nome completo, seu endereço e pede seu RG e o CPF. É complicado, mas sem nenhum aviso prévio, não há razões para desconfiar.

Tudo bem, imaginemos que você não caia no golpe do recadastramento. Faça uma busca pelo seu nome completo pelo Google, usando aspas. Pode ser que nada retorne, mas há alguns resultados potencialmente perigosos. Processos judiciários, em alguns casos, são indexados pelo Google. E adivinhe: um desses costumes da nossa justiça é se referir às partes do processo como “brasileiro, branco, 43 anos, portador do RG tal, viúvo, vendedor de cachorro quente”.

Agora olha que interessante: com um pouco mais de paciência, ou sorte, seu stalker pode descobrir que você prestou algum concurso público ou vestibular. O bizarro site da UEM divulgou a lista de todo mundo que prestou vestibular. Com as notas. Tá lá. Em um dos listões da ACAFE, como se esse vestibular não fosse bizonho o suficiente, estavam lá os RGs da rapazeada. Infelizmente não consegui achar o link, mas estou praticamente certo de que estava lá.

Não parece preocupante? Pois imagine a seguinte situação: eu descubro o endereço e telefone de uma senhora com um distinto sobrenome. Depois, descubro, acessando um Facebook da vida, que a donairosa mulher tem uma filha. Pasmém! Em idade vestibulável. Um Google no nome da menina revela o RG da garota, que passou em um vestibular há algum tempo. Seu Facebook, porém, revela que ela continua fazendo cursinho. Hmm, será que Pedagogia não era o sonho dela?

Pelo que parece, não. Afinal, todos os posts públicos do perfil da menina falam sobre “Medicina da Depressão”. Vestibulanda de Medicina, então. Provavelmente passa o dia fora, estudando. Isso ou não vai nem tangenciar a nota de corte. Ligar em horário comercial é um potencial indício de que a menina vai estar na rua. E mais: sabendo onde fica o cursinho, dá a dica dos lugares frequentados pela menina.

E para que tudo isso? Basta um telefonema para a nossa mamãe, com um tom ameaçador e algumas gírias indecorosas para deixá-la assustada. Jogar dados como o RG ou falar que “pegou a menina saindo do cursinho e levou embora no carro”, em um estado de choque gerado por um anúncio de sequestro via telefone, faria qualquer pessoa se aterrorizar. Falar que a menina está implorando para não ser morta porque não quer perder o sonho de ser médica faria o mais racional dos pais molhar as calças.

I+don+t+know+who+you+are.+I+don+t+know+what+_b40790232cf1ab8b3e4303946a342135“Nóis tá com teu filho. Tá feio pra caralho nesse RG aqui. Precisa que fale o número da fita ou cê vai depositar logo a grana? Tá chorando igual mocinha aqui. Olha que eu corto a orelha dele. Heim. Vai ficá igual ao Van Gogh tirando a parte de ser um pintor de tendências impressionistas de sucesso póstumo porque ele vai tar morto bem antes disso. Morô?”

É fácil analisar todos os pontos furados dessa história na frieza de uma cadeira desconfortável, com um calor desanimador e o tédio corroendo. Eu fico imaginando se o racionalismo funciona tão bem sob a ameaça da morte de um filho. A quantidade de dados que podem ser retirados de maneira, até onde eu saiba, completamente legal, apenas fuçando sites de busca e de relacionamentos é infindável.

Acompanhar qualquer Twitter ou Facebook público faz você saber coisas tão pessoais sobre o usuário, que apenas alguém muito próximo teria conhecimento. As pessoas enxergam o computador como uma extensão da própria rede de amizades, o que é verdade, mas sem atentar à exposição pública. É particularmente conveniente que eu faça esse post, porque o Facebook acabou de promover modificações que facilitam, e muito, um maior controle acerca do que se expõe na rede social.

O @acabei pode ser testemunha de que mesmo com um nome comum é possível encontrar coisas como um vídeo em que ele toca triângulo em um evento de escola maravilhoso. Imagine se a pior coisa que pudessem encontrar de você não fosse um ingênuo e inocente episódio de solo de idiofone triangular, mas coisas… piores.

Isso foi, em parte, motivado por uma reflexão que acabou me acometendo. Eu, que sempre fui partidário da ideia de exposição máxima, de que a configuração “Público” do Facebook era algo incentivável, estou revendo esses conceitos. Porque de certa forma as coisas estão ficando perigosas. Eu não me refiro apenas a ameaças de sequestro. Há toda uma sorte de possibilidades que envolvem uso de dados pessoais.

E há uma razão para que esses dados recebam esse adjetivo. Foi-se o tempo em que o pessoal se cadastrava no Orkut com e-mail que não existia e a rapazeada ia lá, criava o e-mail, e roubava a conta da pessoa. Hoje, qualquer pessoa com tempo livre e um pouco de raciocínio lógico consegue descobrir coisas que poderiam ser empregadas a fins mais obscuros do que atualizações de status que dizem “eu sou gay”.

142998488Melhor deletar a conta do Flogão, não é verdade?

Acho que é tempo de fazer uma busca por seus nicks antigos, dar um jeito de deletar aqueles Flogões e fazer algumas alterações no perfil do Facebook. Pode ser que isso salve sua vida. Espero que você tenha usado uma voz mental, para ler esse post, que soasse como a voz de um ancião transmitindo um conselho valiosíssimo. Porque tirando a parte do ancião, a outra também é mentira.

Enfim, um feedback

Há alguns dias tive a modesta e brilhantemente incrível ideia de pedir aos meus lindos amigos que enviassem sugestões de assuntos aleatórios por meio de um formulário. Bem. Confesso que, a princípio, a ideia não tinha aplicação prática, e nem teria, mas recebi tantas coisas… hmmm… curiosas… e… indescritíveis que ignorá-las seria um desperdício.

Então, vamos lá.

MÚSICA

1. beatles é bom ou nao afinal
Por enquanto, sim. Escutei Sgt. Pepper’s, Yellow Submarine e Help. Confesso que achei os dois primeiros assustadoramente incríveis e o último é muito bom. Então… é bom sim. Quando eu escutar o Abbey Road atualizo essa resposta.

2. Blues ou Jazz?
Blues.

3.  Oh if i catch you
Uma ótima tradução.

4. Indução de padrões compornamentais através da música
Há diversos estudos que sobre esse ponto, como por exemplo algumas plantas que murcharam ouvindo rock. Portanto, reduza a exposição da sua alma a esse terrível mal. Por fim, há aquela polêmica dos sons bineurais (iDoser, ou outro nome para sua banda de sky eletrohouse melódico da Nova Zelândia) e sua suposta capacidade de alterar a frequência do cérebro. Minha resposta final: quem sabe?

O que eu mais gosto na pergunta é o “indução de padrões comportamentais”

5. Aprender a girar baquetas nos dedos
Primeiro passo para virar um baterista. Antes mesmo de ter uma bateria é preciso dominar esse malabarismo. Só não faça igual ao Will Ferrell Chad Smith, por favor.

6. Guitarra ao contrário
Algo maravilhosamente belo e que me lembra de Braid.

7. Tocar Piano (acho foda)
Comprei um teclado usado, aprendi uns acordes e desisti. É preciso ter empenho ou uma tia velha, que te obrigue a praticar para amenizar a tristeza da menopausa dela. Únicos dois caminhos para conseguir ser bem sucedido no aprendizado. Vocês sabem que eu não possuo nenhum.

8. Johnny Cash X Arctic Monkeys
Hmmm… Esse cristão me enviou apenas duelos. (O último merece um destaque especial: “ônibus x pássaros”). Como não tenho exatamente parâmetros para julgar, vou pegar as duas primeiras músicas que achar de cada um dos cantores. Peguei “Hurt” do Cash e “Leave Before the Lights Come On”. Os dois artistas não parecem exatamente comparáveis, mas ambos são muito legais. Preferencialmente, escutaria Johnny Cash. A outra banda é meio animada demais. (Se você, que mandou isso, ou qualquer pessoa, tiver sugestões de músicas melhores dessas bandas, para uma nova resposta, envie uma sugestão para o Banco de Dados).

9. Música x Sexo
Sexo com música.

10. Voce aprenderia a tocar xilofone por alguma razão?
Eu aprenderia qualquer instrumento musical, se tivesse tempo e recursos para isso, por uma única razão:

Desenvolveocérebrodáprazerepodeimpressionarasgataaindamaisumxilofone


A ÚNICA coisa que pode fazer uma mulher se apaixonar instantaneamente por você

11. Tenori-on faz uma música. inteira
Na teoria das teorias, qualquer instrumento faz uma música inteira. Mas esse sintetizador(?), só usei o Google Imagens, provavelmente consegue fazer isso de modo muitíssimo mais interessante.

OPINIÃO

1. oq voce pensa sobre cotas de negros
A cota racial é problemática porque acaba segregando ainda mais e não incluindo. A cota socioeconômica seria uma solução muito mais sensata. Até porque, como você vai “provar em uma entrevista que possuí características fenotípicas pertencentes ao grupo afrodescendente”? Isso é extremamente subjetivo e, no mínimo, esquisito.

2. O novo codigo florestal brasiliero. Avanco ou Retrocesso?
Avanço… em direção à mata ciliar.

3. Corrupção nos altos cargos da sociedade e descaso com os menos favorecidos
Entendam: a corrupção está em todos os níveis da sociedade. Desde os altos cargos até esses “menos favorecidos” que foram citados. Sim, eu me refiro àquela vez que você estacionou, na vaga de deficientes, “só para ir ali rapidinho”. O problema é que temos um “jeitinho brasileiro” de tolerar quando a pimenta não é jogada em nossos olhos. E estranhamente uma memória curta demais para se lembrar de quando ela foi efetivamente jogada em nós.

4. Medo do papai noel, medo de escuro, medo da morte
O único realmente justificável é o primeiro. Um velho que se veste em trajes esquisitos, ostenta uma barba de gosto duvidoso, segura crianças no colo e as enche de brinquedinhos. No mínimo, é um medo totalmente justificável. A descrição da Wikipédia já mostra o problema com o “homem rechonchudo, alegre e de barba branca”. A menos que você esteja no escuro com um homem fantasiado de Papai Noel que está portando um canivete. Aí a coisa complica.

5. O que você acha sobre a cultura romana de ser assistido pelos empregados durante o ato sexual?
Voyeurismo por parte dos empregados e exibicionismo por parte dos casais. Acho tão emocionante esses finais felizes para gente que tem parafilias.

6. Babosa: Funciona, ou não?
Só o Irmão Luciano pode nos dizer.

7. o que você pensa sobre pessoas que usam a religião para se nortear na vida?
Acho que elas estão preenchendo lacunas com algo insustentável, ou, ao menos insustentável para mim. O problema é que eles não se preocupam, de modo geral, em preencher as apenas suas lacunas, eles costumam querer preencher a dos outros. Tal qual acontece com a vida sexual das pessoas, sem consentimento é estupro. No caso. Bem. Melhor não continuar, acho.

8. DIREITA X ESQUERDA
A direita tem cheiro de conformismo, a esquerda tem cheiro de utopia, fingem ser opostas, mas as duas são falácias. É simples, o tempo do monopartidarismo acabou. Porque percebeu-se que é mais fácil tornar todos os partidos iguais, do que impôr um modo de governo. Assim, o João da microempresa acha que está mudando o mundo votando no Serra e o José do setor de segurança no trabalho acha que está mudando o mundo votando no Lula. Quando a única diferença entre os dois é, obviamente, o vampirismo.

9. Religião
Mas vocês gostam da minha opinião sobre isso, né?
Eu já me incomodei muito mais do que me preocupo hoje. Não é algo benéfico. Isso, para mim, claro está, porque a religião insiste em sair do espectro do privado. Porém, a única coisa que me causa vontade de lutar contra é quando eu vejo situações que envolvem a catequisação ou abuso (físico ou psicológico) de crianças que não estão em idade para serem submetidas a conjuntos de ideias muito além da capacidade de compreensão delas. Sério. É bizarro criar um filho de nove anos como “ateu”, como “satanista LaVey”, como “revolucionário marxista”. Se for para falar de religião com seu filho, procure ser o mais amplo possível, mostrar que ele tem uma escolha. A religião é um hábito pessoal e privado. Reter algo à intimidade e se sentir bem por isso é totalmente diferente de sair desfilando uma cruz de madeira pela cidade e organizar carreatas que poluem sonoramente com músicas de gosto duvidoso. Não dá para apenas pincelar um assunto tão complexo. Melhor se abster de falar do que ser superficial. Isso era para ser ~~ humorístico~- ~~ .

10. O que voce pensa sobre rapazes que são tristes?
Eles podem usar suas frustrações como força motriz. Melhor ainda se eles forem virgens, porque, segundo algumas teorias, a nossa maior força é a sexual. Logo, privados de um alívio para essa linda máquina de propulsão atômica que é a ereção (céus, esqueça que você me conhece enquanto lê isso), eles acabam realizando feitos incríveis. Tenho um amigo que me respondeu, à pergunta “O que é necessário para aprender matemática como você?”, “Muita frustração”. Seja frustrado e triste. Você vai longe.


Próximo Nobel de Economia. Um rapaz que é triste.

11. Qual o gosto da vagina?
Leiam, leiam com atenção o que diabos eu estou sendo obrigado a responder. Não sou, na verdade, obrigado a responder porque a internet já fez isso por mim.

EXERCÍCIO MENTAL

1. se voce se lembra da primeira vez que voce se imaginou voando e por que voce acha que isso aconteceu
Provavelmente foi em uma brincadeira que transpassava a realidade dos videogames de plataforma para o mundo real. Supondo que você esteja em um quarto/escritório, olhe para a porta mais próxima. Note a “moldura” da porta. Não tenho certeza se o termo “umbral” se aplica, mas já que o Chico Science Xavier usou de licença-poética (e um vale-ilogismo, brincadeira kardecistas xaverianos), eu também posso usar. Bem. Imaginava-me saltando de porta em porta, como se tudo fosse um gigantesco jogo de plataforma. Até que eu descobri que poderia voar. É. Eu usava cheat em minha própria imaginação.

2. Qual a ultima coisa em que voce pensou ontem antes de cair no sono? E a primeira que lhe veio a cabeca hj quando acordou?
Lembro de ter “acordado” quando quase atingia o estado de inconsciência, nada além disso. Mas provavelmente era relacionado a musaranhos que obtinham licença prêmio para visitar os parentes retidos na alfândega de Illinois. A primeira coisa que pensei hoje? Essa eu tenho certeza. Cantei Bugle Reveille mentalmente (é o meu despertador, para que eu vá me acostumando para quando for servir meu país).

3. Qual a primeira coisa que vem na sua cabeça ao pensar em amigos?
Proporcionam experiências únicas e necessárias.

4. Caixa de ferramentas
Acho maneiro. A compra desse produto coincide com quando você percebe que largou a vida de solteiro definitivamente e virou um “pai de família”. Em breve seu filho vai começar a ir mal na escola e você vai parar de fazer sexo com a frequência de antes. A aliança vai começar a ficar apertada e a maioria das suas calças também. Há um período de crise financeira, um tédio de aposentadoria. Você fica cada vez mais velho e morre. O mundo nem sentiu sua falta.


Quem diria que uma caixa de ferramentas diria tanto, não é?

5. Primeira coisa que vem na sua cabeça ao pensar em um mendigo fantasiado de coelho
Todo mundo pode gostar de Donnie Darko.

6. Pense rapidamente em três coisas que não são o Jackie Chan
Cientificamente comprovado que é impossível fazer isso.


Você vai sonhar comigo.

7. Qual o seu primeiro pensamento após o orgasmo?
Não sei se chega a ser um pensamento articulado, talvez sejam grunhidos mentais que denotem a bestialidade que insistimos em mascarar. Ou talvez seja só “ohh”.
Eu me pergunto se você que escreveu isso pensa sempre a mesma coisa após o orgasmo.

8. PSICOLOGIA X NEURÔNIOS
Psiconeurologiapsiquiátrica. Okay, vou desenvolver porque essa vale a pena.
A psicologia difere da psiquiatria que difere da neurologia. Digamos que há intervalos de compartilhamento entre essas, mas a abordagem da psicologia é mais transcendental (no sentido de “não apenas físico”) e a abordagem da neurologia e da psiquiatria é muito mais biológica. As três me chamam muito a atenção.

9. Monogamia porque…?
É mais simples, garante mais estabilidade. De modo geral, quando você está em um relacionamento, não há uma necessidade ferrenha e imprenscindível em ter outras relações, amorosas ou sexuais. Minha experiência com a monogamia pode ter sido uma de várias possibilidades, não sei como é o casal da casa ao lado, mas a minha é bem satisfatória.

10. Qual a primeira coisa que vem na sua mente quando voce acorda com bafo, e lembra que estava ensinando, na prática, sua irmã a fazer sexo oral?
Pergunta bizarra por pelo menos uns quatro motivos. Primeiro, se a pessoa tivesse feito a pesquisa que indiquei sobre um certo gosto em particular, acredito que, bem, a pergunta nem existiria. Segundo, como assim? Como assim eu “lembro” que estava “ensinando”, onde diabos você quer chegar com isso? Eu estava em um estado consciente? Como isso é possível? Sério. A pergunta queria me deixar confuso? A pergunta queria ficar me fazendo perguntar? Céus. O terceiro e o quarto motivo são… sério, eu nem sei mais o que dizer.

11. Um prato de trigo para três tigres tristes.
A tristeza dos tigres se resolve com fluoxetina. Quem sabe até sirva para inibir a fome deles, reduzindo os gastos com trigo.

CIÊNCIA

1. a função da astrologia na ciencia
Gabriel, não dificulta.

2. O efeito doppler para leigos
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3. Inflação Cósmica
A que resulta do Big Bang? Prefiro o Big Crunch.

4. Melancia quadrada
Culpa da Monsanto.

5. Big Bang
Hmmm, duplo sentido. Em ambos: maneiro.

6. Por favor, fale-nos sobre o espiritismo sob a ótica da ciência
Fica mais engraçado. Mas é curioso como é uma racionalização diferente das outras religiões. É uma coisa mais “humana”. Honestamente não tenho muito conhecimento para falar.

7. MÉTODOS X COMPROVAÇÃO
Métodos que comprovem. Onde você quer chegar com essa pergunta?

8. O impensável e o inexplicável
Já foi pensado e explicado pelo dadaísmo.

9. ciencia ou sexo?
A pergunta é tão curiosa, mas tão curiosa, que olha. Fico até com medo de começar a responder. Primeiro: a oposição entre essas duas coisas não é totalmente equivocada, vide algumas dicas deixadas nas respostas anteriores. Complicadíssimo escolher algo. Pessoalmente, escolho o sexo, mas ele traz tantas complicações (porque não é apenas sexo, vem amor e vem isso e aquilo) e se você acha que um cientista é triste, bem, provavelmente está certo, mas ele só é triste porque ama. Seja um átomo ou infinitos deles, formando o corpo de uma mulher, ele ama alguma coisa. Mas vale a pena.

10. Eletricidade
Um dos pilares da sociedade de consumo. E ainda assim, mesmo utilizada à exaustão planetária continua sendo um conceito meio abstrato.

CULTURA E ARTE

1. sua opiniao sobre veganismo
O veganismo é interessante, mas muito restrito. Dificilmente teria alguma inclinação a ele. Já o vegetarianismo me chama a atenção, mas o único cenário em que me vejo “convertido” seria para educar um filho dessa maneira. Acredito que é mais saudável, mas enquanto for só por mim (olha que altruísmo bizarro) eu não tenho tanta força de vontade. Lógico que se o pequeno patife preferir hambúrgueres eu provavelmente verei todo meu esforço minguar.

2. The lost generation
Eu acho que você queria que eu tivesse respondido Jazz.

3. A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.
Mentira. Verdade. Talvez.

4. Simbolismo
Gosto de Cruz e Souza e do Augustão dos Anjos. Mas acho uma escola meio avoada. Ao menos é melhor que o arcadismo e que o parnasianismo.

5. Tetos de igrejas
O da Renascer caiu. Eles fingem que é de vidro. E tem alguns tão belos.

6. Game of Thrones. Tudo sobre.
Ainda não sei nada. Mas vou saber, está na lista de coisas para fazer até morrer até.

7. PICASSO X CORES
Picasso transcende cores, vide Guernica.

8. Estereótipo de beleza
Eu concordo com alguns e com outros não. É tudo questão de preferência.

9. o que sente ao olhar a obra : Lovers – Jarek Puczel ??
Eu me sinto maravilhado pela textura, pelo conceito (esse cara é um artista soberbo, gosto muito dessa aqui também). Não posso deixar de sentir um pouco de tristeza, misturado com identificação. Por fim, eu preencho aqueles rostos.

10. Modernismo
O orgasmo literário.

PESSOALIDADES

1. o que voce acha da circunsisação espero q seja essa a palavra
Hahaha. Acho que o procedimento deve ser feito se necessário, do ponto de vista médico, mas apenas por tradição religiosa é triste… acho que é uma eterna luta entre “cuts” e “uncuts” e que nunca vai dar em nada. É como dizer que meu azul é roxo. Você nunca poderá provar o contrário. Mentira. Não circuncidem.


E aí? Qual você prefere?

2. Uma coisa que voce se arrependa de NAO TER FEITO.
As coisas da minha Bucket List que ainda não foram riscadas.

3. Porque ao chegar na sua casa, você está sempre de cueca ou toalha?
Porque você entrou na casa errada, provavelmente. Mentira. É confortável.

4. Andar descalço
Muito melhor.

5. Tomar várias xícaras de café até se sentir hiperativo
Tomei uma xícara hoje às seis da manhã, olha o resultado. (Era tarde da madrugada quando eu escrevia isso. Pelas proporções que isso adquiriu, vim fazendo isso aos poucos).

6. Seu método de banho
Costumo lavar o corpo, depois molho os cabelos, passo o shampoo e passo a esponja no rosto. Depois passo água para tirar a espuma e só abro os olhos após secá-los (caso esteja de lente). Pode envolver adicionais a serem imaginados pelo leitor. Calma. Eu me referia a escovar o dente (de verdade).

7. tamanho do pênis
Alguns metros.

8. EXTROVERÇÃO X NEUROTICISMO
tamanho do pênis, ou seja. Neuroticismo.

9. Beijo
Tolerável até a senilidade, período a partir do qual isso passa a ser desaconselhável.

10. O que faz quando esta com diarreia e sente vontade de soltar um gaz, mas fica com receio de acabar liberando aquele liquido fecal?
Meu deus. Por que você tem desejo que eu responda isso?

11. Morder o próprio cabelo
Desde que não seja tricotilomania está tranquilo.

SAÚDE

1. quais crimes nao aceitos pela sociedade liberal voce cometeria (saude mental)
Tráfico de drogas, extorção. Acho que só.

2.  o perigo da globalizacao epidemica.
Seria ruim se todos assistíssemos à Globo.

3. Suposta cura do cancer
~~** MaCoNhA **~~ – – — – “pRa Q tEr MeUs OlHoS vErDeS sE pOsSo TeLoS vErMeLhOs CoM o VeRdE dA NaTuReZa

 4. Psicopatia
Interessantíssimo.

5. As consequências do estalar de dedos
Se você fizer isso após se jogar do topo do Empire States: nenhuma.

6. Zé Gotinha
Assustador. Ainda pior do que a agulha da vacina. Essa era a razão real pelos traumas.

7. Natação
Esporte digníssimo e muito completo. Faz sua vida se tornar melhor. Pena que cansa. E não dá XP.

8. SUS X MEDICO
No SUS eles são o que? Açougueiros? O tratamento para câncer é totalmente gratuito no SUS (embora, logicamente, você tenha despesas adicionais) e muito bom. Perguntem para os estadunidenses o que eles acham do sistema de saúde pública deles.

9. Deficiência
Pré-requisito da normalidade.

10. espirra com que frequencia?
Muito maior do que a saudável. =( 

11. Radioterapia

She approves this message

HISTÓRIA

1. egito foi ou nao foi legal
Foi interessantíssimo. Principalmente as fotos de gente morta.

2. Quero a verdade sobre Napoleao! Aquele baixinho desgracado…
Napoleão foi um personagem histórico interessante, como todos os outros, menos o Trótski porque esse não está na História, está em meu CORAÇÃO s2s2 Trótski Leonzitow vive. Hmmm, o Napoleão foi um misto de megalomania-sorte-estratégia-azar. Como todos os seres humanos.

3. Atila, o Uno.
Não chega aos pés de Gengis Khan.

4. Ilha de Lesbos
Uma ilha legal.

5. Maçonaria
Junta com os Illuminatis e o Dolly Guaraná, controla as mentes de todos os seres humanos.

6. Construção das piramedes


I don’t know, therefore Jesus

7. Hitler e homossexualismo
Polêmico. A maior frustração dele foi não ter sido aceito na academia de belas artes.

8. DOM PEDRO I X CARLOTA JOAQUINA
Dom Pedro I.

9. Por que o passado?
Por que o futuro?

10. Napoleão ou Che Guevara?
Che Guevara é pop.

11. Segunda Guerra Mundial
Menos interessante que a Guerra Fria e mais interessante que a primeira. Mostrou como os problemas sociais são multipolares e que Hitler esqueceu do Napoleão (que foi lembrado diversas vezes por vocês, parabéns). Por fim, mostrou por que darwinismo social é um dos conceitos mais refutáveis do mundo.

GLOBAL

1. vc prefere urnbano ou mato , especifique os tipos de urbano e de mata, tipo relva, savana, floresta, ou fazendas
Prefiro urbano, pela sensação constante de constante estrangeirismo que ela uma cidade grande proporciona. É curioso se sentir perdido, mas isso não pode ser sempre. Por isso que provavelmente a minha cidade ideal é Curitiba, já que ela não é uma cidade infindável, mas também não é microscópica. Não é tão desconhecida, mas também não é tão nova. Mas eu só vou descobrir isso ano que vem. Eventualmente.

2. Se vc tivesse os poderes de “Jumper” onde tomaria cafe da manha, almoco e jantar?
Café da manhã: Londres, em uma manhã fria, desenhando em algum caderno e derrubando café sobre ele sem querer.
Almoço: casa da minha vó.
Jantar: Itália, vinho e macarrão.
Sou muito cult, vai dizer.
PS: Eu nunca assisti Jumper, então presumi que fosse uma espécie de “teletransporte”. Enfim.

3. O que você acha que se deve fazer para parar com projetos anti-pirataria (ACTA, SOPA, etc.).
O problema não são esses que ganharam espaço e a nossa atenção. O problema são os que estão correndo por debaixo dos panos.

4. Poligamia
Complica coisas, desbalanceia coisas, pode ser uma experiência interessante se muito bem conduzida, mas tende ao erro.

5. O que fazer perdido nos cantos remotos da China onde só restou larvas, filhotes de ratos vivos e cérebro de macaco?


O suco preferido do Bear Grylls é produzido no KG Laboratório e Análises Clínicas.

6. A dualidade de Dubai
Eles fazem ilhas artificiais lá. Em formato de mapa-múndi. E PALMEIRAS. O que você perguntou mesmo?

7. Você considera válido a idéia de um único governo controlando um planeta inteiro?
Não. Nem um único governo não é capaz  de governar nem a si mesmo.

8. MUNDO X GEOGRAFIA
Como assim? O “x” significa oposição e, nesse caso, as coisas não são exatamente opostas… de qualquer forma, mundo.

9. Maldade
Está na categoria correta. Nada é mais global que a maldade.

10. o que fazer dentro do onibus na Bósnia?
O mesmo que se faz em um ônibus da Bielorrússia: andar de patinete ao som de Pussycat Dolls.

11. No futuro todos irão querer morar no Brasil, quase o “Brazilian Dream”
Não duvido, o problema é que o Brasil nada contra a maré por culpa dos próprios brasileiros. Lógico que me refiro à corrupção, burocracia, politicagem, blablabla. Temos potencial para muito mais, mas enfim. A realidade é outra e outra e outra. São vários países aqui nesse nosso. E acredite: nem todos vivem/viverão o “brazilian dream”.

LIVRE

1. pra que serve a tristeza
“Para valorizarmos a alegria”” : Raniely jr. ~~

2. O que você pensa sobre seu amigo lindo e maravilhoso Otávio Wienhage
Lindo e maravilhoso.

3. Tempo
Intangível e opressor, tão palpável e tão abstrato. Fazer poesia sobre o tempo é a coisa mais fácil do mundo, porque ele é pura poesia.

3. Homens usando sapatos de salto alto
Alguma referência à minha altura? Sem graça essa heim…

4. Ou deixar o Tuttyi livre, ou morrer pelo canil
O cara que negou água para o pobre cão deve estar no inferno.

5. ÔNIBUS X PÁSSAROS
Pássaros.


Alfred Hitchcock também concorda comigo

8. Sonhos (aqueles que vc tem quando está inconsciênte)
Passar no vestibular. BRINCADEIRA. São parte de um universo que eu tenho o prazer de explorar toda vez que durmo. Um dia ainda terei um sonho lúcido. Posso passar horas dissertando sobre eles, mas como o intuito desse post em específico não é isso, um dia possivelmente saciarei vossa curiosidade. Principalmente se você conversar comigo sobre o assunto. Sou muito entusiasmado com esse assunto.

Bem. Se você chegou aqui definitivamente merece um parabéns. Se você gostou da ideia, não deixe de alimentar aquele formulário com mais e mais assuntos e, quem sabe, reunirei conteúdo suficiente para uma segunda edição. Para as 2 outras pessoas que liam o blog: voltamos à programação normal.

±50 minutos com um gerador de assuntos aleatórios

Pois bem, hoje a ideia é rápida e direta. Vou passar os trinta minutos após a conclusão dessa introdução gerando assuntos aleatórios e os comentando em parágrafos curtos. Se a brincadeira render, provavelmente aumentarei o período para uma ou duas horas. Vocês saberão. Claro, assumindo que alguém leia isso aqui.

Audio recording
Bem… gravar som não é algo tão emocionante assim, confesso que esperava mais do primeiro tema. Entretanto, devo admitir que tenho algo para falar sobre o assunto. Trata-se daquela primeira decepção, que qualquer pessoa já deve ter sofrido, ao ouvir sua própria voz. Sim, meu amigo, aquele ogro desconexo ou a moça com voz anasalada é o seu verdadeiro eu. Conforme-se com o seu futuro como cantor que nunca irá existir.


Um objeto proveniente de tempos que não voltarão mais, cujos valores histórico e estético tentam ser resgatados por um grupo de pessoas que são rotuladas como “hipsters” ou “vintagers” ou apenas colectores de bugigangas. Se o objeto acima te provoca um desejo consumista, bem, devo admitir que suas chances de cura beiram a nulidade. Boa sorte com a vida.

European architecture
Novamente, superestimado, o tema não faz juz. Por enquanto o tempo não será prolongado. O que diabos falar de arquitetura europeia? Ela, certamente, é fascinante, mas não tenho o mínimo know-how para sequer abordar o assunto. Mas, afinal, qual é o know-how que eu tenho para abordar qualquer assunto em particular?

Baseball records
Okay. Baseball é um jogo estranho a nós, brasileiros, de modo geral. Embora eu tenha passado horas realmente divertidas com um jogo de Playstation (em japonês, o que, por sinal, não é uma surpresa, já que o esporte é terrivelmente popular por lá), como dizia, apesar das horas de diversão, o esporte ainda apresenta uma certa estranheza. Prefiro o urbano e muitíssimo mais perigoso (afinal, sempre há bueiros para perder bolinhas) bet’s, taco, tacape para fazer a bolinha alçar o voo mais longínquo possível e fazer seus amigos perderem qualquer fôlego tentando busca-la. Sem falar na técnica extremamente rudimentar de marcar um dos lados do taco com uma bela cusparada afim de descobrir quem terá a inglória missão de começar tentando acertar as garrafas de Coca-Cola. Eu confesso que nunca gostei daqueles tripés pré-fabricados que nunca eram acertados.

Languages of Europe
A Europa, novamente. Céus. Depois que desenvolvo mania de perseguição… então, as línguas faladas naquele continente demonstram a mosaicidade (um termo que soa como um vinil sendo riscado por uma faca de serrinha) daquela região. A Europa é totalmente fragmentada e, talvez, parte da beleza deste continente advenha disso. A ideia de atravessar países com as dimensões de estados e nos deparar com uma variedade cultural e, principalmente, linguística, é algo que me chama a atenção. Ainda assim, sou adepto da ideia de que o Brasil, exatamente por ser tão grande, tem um quê de vários países em um mesmo território. O que o faz algo interessantíssimo para se conhecer. Um dia ainda vou ter dinheiro para isso e para a Europa. Vocês vão ver.

The difficulties of adoption
As dificuldades da adoção são muitas. Se já trememos com a possibilidade de criar um filho que tenha laços biologicamente traçados, imagine só a mesma ideia com alguém que já teve sua socialização iniciada. Não é uma desculpa, afinal, eu acho que faria, mas é, como o título sugere, uma dificuldade somada. Sucita inúmeras outras questões, às quais tenho respostas teóricas, mas, nesse caso, seriam postas à prova prática. Somos produtos do meio? O cultural subjuga o biológico? Traumas na tenra infância tornam-se fantasmas para a vida? Eu acredito que é um desafio a mais, que pode colocar um sabor mais especial na paternidade. Eu certamente vou procurar ajuda terapêutica na tentativa de educar meus filhos, sejam eles adotados ou não. Espero que eu consiga fazer um bom trabalho.

Running in the morning
Correr é essencialmente uma das coisas que pretendo para esse ano. Mais precisamente conseguir correr 10km por dia, por pelo menos quatro dias da semana. É pretencioso, mas eu acho um dos esportes mais dignos e completos que possam existir. É um tempo para refletir, em meio a uma tentativa de escapar de atropelamentos. É uma atividade para a saúde, para uma autoestima melhor. Só preciso vencer a procrastinação, que insiste em me enraizar em uma cama e a um notebook. Para mim, correr de manhã, principalmente em uma praia, já que nós, brasileiros, temos de nos contentar com o nascer do sol, soa como uma das atividades mais orgasmáticas que podem ser feitas sem atingir o orgasmo. Céus…

The African rain forests
Difícil falar sobre isso, visto que o processo exploratório sofrido pela África fez esse país perder-se aos olhos do resto do mundo. É triste, mas infelizmente tenho pouquíssimo a falar sobre isso. Jogar a culpa em portugueses, estadunidenses ou na própria história não me exime da culpa. Feels bad bro.

Tylenol or Aspirin?
Tylenol.

Places to visit in Russia
Certamente, o chão russo, após doses de vodka russa, parece uma ótima pedida. Brincadeiras postas de lado: a Rússia parece um país formidável, em todos os sentidos. Sentir os ecos do regime stalinista, ver o confronto de realidades, fora a neve. Places to visit in Russia? Every fucking where.

Converting symbols to digital form
Estou tentando compreender as nuances dessa pergunta. Mas quem pode, talvez, falar mais sobre isso sejam os portadores de teclados chineses.

 Anaerobic exercises
Tive que confirmar no Google se tais exercícios existiam, porque, fui obrigado a pensar que se tratava de uma junção errônea de duas palavras. Parecerei burro depois que revelar o que são essas maldições. É por isso que não vou fazer. Próxima…

Creating your own guitar riffs
Se você tem pretensões de ser um guitarrista, provavelmente é um caminho errôneo. O negócio mesmo é copiar.

The basics of music theory
Dó ré mi fá sol lá si, sustenidos e bemóis entre essas. Tônica, terça e quinta para formar um acorde básico. Tem o acorde menor, mas eu não lembro exatamente a composição dele. Quando tiver um “com sétima” após o acorde, significa que ele contém a sétima nota também. Tem um negócio de tom, tom, semitom, mas eu não vou lembrar. Desculpe-me Dgeison, por estar te decepcionando para 0 leitores.

Museum of fine arts
They’re fine.

New York Art
Estou usando o Google, mas acredito que seja uma arte deveras variada e cosmopolita, interessantíssima, se querem minha opinião. Acho que New York está para o mundo assim como São Paulo está para o Brasil. É uma das grandes capitais do mundo, logo, sua produção cultural é obviamente notável. Como vocês podem notar, estou enrolando. Vou é postar um exemplo de arte novaiorquina e vocês fiquem satisfeitos.

 
Um homem vestido de papai noel em uma pista extremamente molhada se mostra confuso com a aparente disformidade que os carros apresentam enquanto uma pessoa ao fundo tenta ler um outdoor visivelmente distorcido da Coca-Cola. Há ainda uma assinatura flutuando no aconto inferior direito, o que chama a atenção para a estranha formação que os toldos estão apresentando. Mesmo assim, é uma ótima obra de arte, vamos aprecia-la.

Learning how to play violin
Música tem se mostrado um assunto recorrente. Adoraria saber tocar violino ou viola ou violoncelo ou contra-baixo(?), adoraria fazer parte de uma orquestra. A última vez que ouvi música clássica, confesso que senti um arrepio no meio da minha coluna. Espero que isso não indique tendências suicidas, acho que não.

Famous Spanish painters
Salvador Dalí

Bem, é com esse gênio místico do subterrâneo das partículas atômicas da realidade aparente, cuja complexidade se torna uma mistura homogênea de argônio e zinco, bem, é com esse amontoado célular compostas de basicamente água e algumas sinapses que exalavam genialidade que fica sacramentado o fim dessa ideia. Foram, na verdade, pouco mais de cinquenta minutos e foi uma experiência agradável. Espero que a aleatoriedade não seja um problema para você, já que ela te espera fora desse texto, na chamada vida real. Boa sorte com ela. Até mais.

A supervalorização da cultura estrangeira e basicamente o porquê de devermos ter medo disso

Olhe para o lado. Eu vejo inúmeras páginas de HQ’s cobrindo minha parede, com alguns diálogos em inglês, outros não. Olhe para o outro lado. Okay. Nada desse, ao menos para mim. Ainda assim, se olhar para frente, verei uma miscigenação anglo-portuguesa, eu fico cada vez mais reticente em relação a esses tipos de termos que venho usando por aqui. Vejo a dashboard do WordPress em uma miserável tentativa de aproximação do que poderia ser chamado de tradução.

Esse, no entanto, não é um post de crítica à tradução do WordPress. Não é, também, um post de crítica a traduções. Acontece que importamos, com uma facilidade inversamente proporcional ao valor que damos à nossa cultura, padrões comportamentais estadunidenses como se o American Way of Life fizesse algum sentido. Mesmo com o desmoronar dos yankees, mesmo com a crise mundial, mesmo com o caralho a quatro, vocês são capazes de enxergar isso acontecendo?

E não há problema nisso, também. Voltemos no tempo e auscultemos a senhora Tarsila do Amaral (quando criança eu poderia facilmente classificar a pintura dela como bizonha e não me sentir mal por isso. Bons tempos) e aquele marotão do Oswald de Andrade. Há algo incrivelmente sensato na proposta antropofágica (clique aqui se você estava dormindo nessas aulas). Então, por que eu acho que deveríamos ter medo disso?

Porque nem todo mundo no Brasil é capaz de enxergar o sentido nos traços extrapolados do Abaporu. Eu mesmo, tive que ler muita coisa para ter o vislumbre de entendimento sobre aquilo. E, em se tratando de modernismos, normalmente a arte é entregue totalmente desmontada. Eu tenho medo porque temos preguiça disso.

A arte brasileira, literatura, cinema (hmmm, polêmica), enfim, as manifestações culturais brasileiras são preconceituosamente rotuladas. Bizarramente, eu importei cultura americana e japonesa (é, julgue-me) durante anos a fio, sem sentir o mínimo de culpa. Eu tinha uma relação tão esquisita com minha própria pátria, que, já “escrevia” nessa época, tinha uma dificuldade imensa com um único aspecto da escrita: dar nome a personagens.

Minha estadunidensização era tão ferrenha, que eu simplesmente não via graça em nomes brasileiros. Minhas personagens eram, em uma espécie de bizarrice linguística, Johns, Kates, James. Não que hoje eu valorize nomes americanos ou qualquer nome, em geral. Tenho sérias dificuldades com esse ponto da narrativa, porque sinto a universalidade se esvaindo a cada limitação, seja cronológica, geográfica ou das personagens, que coloco.

Pensar tão centralizadamente, mesmo que em caminho oposto, como no ufanismo, ou já que usávamos exemplos de movimentos literários a Anta (esqueceu dessa aula, também?), é um problema que justifica o medo supracitado. Pensar tão unilateralmente impede que desfrutemos da possibilidade de um intercâmbio em tempo real, que basicamente se restringe ao Omegle e ao ChatRoulette (brincadeira), com, o que hoje parece bobo, o resto do mundo. Para que precisamos de ainda mais limitações para um bom uso da ferramenta “internet”, sendo que já lutamos demais contra a praga da procrastinação, a enxurrada de inutilidade e essa memória volátil?

E é aí que chego em um ponto interessante. Esse acesso que adquirimos com a internet trouxe uma espécie de oligarquização cultural. Não mais, apenas dos EUA. O Japão com seus animes bonitinhos (em alguns casos, seus pornôs de tentáculos) está criando monstros que atendem pelo nome de Otakus. Eu não sou livre de influências, poxa vida, mas há uma clara distinção entre ser um mosaico, em teoria consciente, e um painel unicolor. Até porque você perde muita coisa com isso.

Há tanta coisa igual, tanta coisa clichê, que qualquer coisa que difira um pouco desse padrão industrializado de cultura se sobressai instantaneamente. Mas céus, às vezes, até a criatividade internética parece seguir o ritmo de produção da linha de montagem dos tênis da Nike. A diferença é que não são vietnamitas famintos produzindo calçados que eles nunca irão usar.

Eu vejo um cenário degringolando. O conceito de meme do Dawkins, que só conheço superficialmente, acredito eu, não previa que houvesse um estágio industrial dessa informação, de modo que ela… perde a graça. A incorporação à rotina pode geral alguma coisa na literatura, no cinema, na arte em geral, mas mostra o problema da supervalorização da cultura estrangeira. Repetimos ad infinitum um ritual de costumes que não são os nossos, sacramentamos essas ideias. O que levanta uma questão ainda melhor. O que é cultura estrangeira?

Recentemente, ví um vídeo que me deixou… animado. Era um sujeito que havia feito algumas experiências envolvendo DMT (um dos componentes da ayahuasca, sim, eu copiei e colei, o que me lembra do Glauco e do Glauco Mattoso e nossa, quantas linkagens. Faça uso do Google e aumente seu QI em 10 pontos). Mas, basicamente, essa não foi a razão pela qual eu levei o sujeito a sério, até porque suas descrições soavam um pouquinho lunáticas e de portas da percepção eu já tenho minha dose com o John Frusciante.

O cara, Terrence McKenna, além de um sobrenome bizarro, fala no vídeo mencionado sobre a produção cultural. Então, eu volto àquela pergunta feita anteriormente, com uma resposta: do ponto de vista individual, toda cultura produzida por outras pessoas é estrangeira. E essa é uma maneira muito interessante de pensar, porque força você a tomar um caminho, de duas opções: você se torna culturalmente passivo ou cria sua própria cultura.

Essa ideia me fez adquirir uma nova perspectiva sobre as coisas que eu considerava toscas no mundo. O fato do indivíduo estar produzindo algo, com alguma inovação, é digno de louvor. É aquela ideia de “você está falando a maior besteira do mundo, mas morreria pelo seu direito de falar”, mutatis mutandis, aplicada à produção cultural.

Mas, José, me diz uma coisa. Se a cultura estrangeira é tudo o que eu não produzo, se todo mundo produzir alguma coisa, ninguém vai consumir e tudo vai explodir, serão tantas culturas que o mundo não vai aguentar, aliens. Calma, History Channel. A inovação é outra farsa.

Farsa no sentido literal da palavra: “inovação”. De novidade. De novo. Não existe algo essencialmente novo, assim como não existe um espelho perfeitamente polido. Retomemos a figura do mosaico: o rearranjar de peças em um quebra cabeça é inovação? Literalmente não, são as mesmas peças. Claro, poderíamos queimar as peças, comê-las, digerí-las e vomitá-las, mas não vamos fazer isso. Mas o efeito final dessa reorganização é inovador, na medida do possível.

Então, mais cultura requer, necessariamente, mais consumo cultural. Entretanto, a supervalorização impede que a barreira do consumo seja ultrapassada. Devemos ter medo porque, se todo mundo pensar assim e apenas consumir cultura, as coisas ficarão incrivelmente feias. Por isso, meu amigo, volte aos seus textos melancólicos no tumblr. E você, menina, escreva mais no seu diário. E você, zelador do prédio, pare de apenas assistir pornografia e vá fazê-la. Quer dizer. É o que esperamos, mas se você não conseguir, escreva um livro sobre isso.

Viva a Bruna Surfistinha! O Dado Dolabella! Obrigado Sartre! Supla! Rogério Skylab! Valeu Miley Cyrus! Restart! Não há aqui nem um único pingo de ironia.

Porque enquanto tiver coisas ruins, significa que há pessoas que acham que podem  fazer melhor. E por coisas ruins, é lógico que estou falando do Sartre e do Skylab.