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Rápido comentário sobre oito livros

THE NAKED LADY WHO STOOD ON HER HEAD
Garry Small, Gigi Vogan

O livro dispõe (numa interessante ordem cronológica) casos psiquiátricos errr… excêntricos e curiosos. A linguagem é simples e precisa. Há elementos claramente maquiados ou mesmo criados, para tornar as histórias mais atraentes, mas isso não tira o mérito do livro. É uma leitura interessante. Um livro leve, sem ser leviano. Diferente de outros
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O CONCORRENTE
Stephen King

O livro é muito rápido. Não sei se tem outra maneira de ler sem sair devorando as páginas. A narrativa é empolgante e tem uma cena de intestinos de fora em um avião. O thrill já fica claro na forma como os capítulos são dispostos, como em um countdown. Eu já comentei uma cena de intestinos de fora?
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A DANÇA DA MORTE
Stephen King

Puta que livro foda. Depois da Torre eu não pensava que iria experimentar a sensação (incrível) de ler uma narrativa épica tão cedo. Sem chatices de definições literais. É um livro enorme, com personagens incríveis. A atenção dada às múltiplas tramas, às situações, a tudo, faz com que você termine o livro, depois de já acostumado a viver, por tabela, o caos pós-apocalíptico retratado e pense: e agora? Como eu vou viver? Ou te faça desejar uma pandemia 99% letal. Provavelmente a última opção.
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EVERYTHING’S EVENTUAL
Stephen King

São 14 contos (uns algo mais que contos). O primeiro, quase um revival da morte do Rodrigo Santoro no Lost, é desconcertante. Seguido pela figura sempre oportuna de Satã e um pobre menino. O terceiro é um dos mais densos. Curiosamente nesse conto tem uma incrível menção às frases de banheiro. Os próximos dois contos têm “Death” no título original. Ambos interessantíssimos, embora eu prefira o primeiro. E agora dois que merecem uma pausa.

The Little Sisters of Eluria é um spin-off da Torre Negra que sei lá como eu ainda não tinha lido. Não vai fazer tanto sentido se você não conhece a série, mas puta merda, que narrativa incrível. Eu soube que tem uma HQ contendo essa história e sinceramente eu mal posso esperar para ler. Everything’s Eventual dá nome ao livro por um motivo simples: é muito foda. A ideia é genial e parte do prazer está em descobrir aos poucos algo que eu antecipei, mas poderia ser imaginado na primeira página: o conto é foda demais.

Após esse conto, um que é pouco menos jawdropping. Mas o livro retoma o fôlego e os 6 últimos textos são absolutamente incríveis. Para um comentário rápido, está ficando prolixo demais. Leia.
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MADAME BOVARY
Gustave Flaubert

Outro livro que eu não sei onde eu tava com a cabeça por ainda não ter lido. A narrativa se enrola um pouquinho em um ou outro trecho, mas basta ter frequentado o ensino médio para lembrar o porquê. A história é interessante e reúne todos os elementos para fazer um bom livro. Traição, romance e uma cirurgia em um cara com o pé torto. E é claro que a cirurgia dá errado.
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O RETRATO DE DORIAN GRAY
Oscar Wilde

Esse livro tem um ritmo mais interessante que o Madame Bovary e personagens mais densos. O apelo filosófico do texto é incrível, tanto no seu tema principal, como através, principalmente, de Lord Henry e seus paradoxos. A ideia do retrato poderia ter sido uma ideia do Stephen King, porque, vamos combinar, ela é bem assustadora. Um daqueles livros que dispensa o meu comentário de recomendação.
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TEMPO DAS FRUTAS
Nélida Piñon

Se enquanto eu escrevo esse texto essa senhora não bater as botas, gostaria de deixar claro que considero ela um dos melhores contistas(?)/cronistas(?)/cadê os acadêmicos de letras(?) vivos. Essa mulher foi a escritora que melhor conseguiu executar uma das funções iniciais da poesia: a expressão de emoções. É uma leitura muito densa. Você sente que ela está brincando com você através das palavras. Por quê? Porque ela pode. Ah, vale lembrar também a imagética forte, a recorrente visão feminina (será que ela é a nova Clarice? Vamos citar Nélida Piñon no Facebook) e a universalidade dos textos. É isso.
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ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
Aldous Huxley

Hoje é o dia dos livros-que-eu-já-deveria-ter-lido-há-muito-tempo-e-não-sei-por-que-só-fui-ler-agora. Com esse eu fechei a tríade distópica (os outros são 1984 e Laranjinha do Burgess). Claro que tem outros livros mas eu entendo por que o pessoal agrupou esses três. Eles são como três flechas que saem do mesmo ponto mas tomam rumos distintos. Orwell e Huxley são mais estruturais, debatem os aspectos do funcionamento da sociedade em suas distopias. Burgess mostra um lado mais individual, psicológico e social. Mantêm, sim, pontos comuns, como a preocupação linguística.

Mas enfim. Falando especificadamente de Admirável, a narrativa tem fluidez e empolga. A reserva dos selvagens, o soma, o entretenimento pago e, principalmente, o sistema de castas temperado com conhecimento biológico são aspectos que diferem o livro de Huxley das outras distopias.
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gifcertoVocê depois de ler esses maravilhosos livros