Arquivo da tag: pessoalidades

Um post que você vai ter que ler. Porque é sobre você.

Eu sou mesmo muito engraçadinho. O sujeito que atende pela alcunha de Magno Luiz Reichert (e que poderia ter se chamado Jonas) é uma das pessoas do meu círculo de amizades que eu mais tento fazer ler esse blog. Mas ele tem suas razões para não fazer isso. Uma delas, a mais plausível depois do League of Legends, é que talvez muito do que eu escreva aqui já foi discutido com ele. Mas acho que você estava certo sobre o egoísmo. E talvez a melhor forma de trazer você para cá, é trazer o assunto até a coisa mais próxima a você. Você.

briga ilustrativa

Eu e o Magno jogando algo no estilo do Jogo da Vida no Senai

A verdade é que na última vez que saímos, eu estava no carro com o Luiz e com o Marcelo e olhei para o Logan (prata? Não confio na minha capacidade de definir cor de carros) na nossa frente e eu não conseguia entender que era você dirigindo aquela porra. É idiota, mas foi uma epifania que me atingiu bem forte. É o Magno-da-espuma-de-boné que está dirigindo um pedaço de metal pesando 1025kg com rodas? É o Rapper Joe conduzindo um veículo capaz de atropelamento massivo? É o Majin Boo, Rocombole? Você sabe que a lista é grande…

Porque a percepção do tempo é aquela coisa bizarra. É verdade que a gente notou muita coisa que aconteceu enquanto crescíamos juntos. Mas mesmo as mudanças físicas e mentais mais severas, ou qualquer coisa, foram mais efetivas do que escutar você arranhando a marcha na Marquês de Olinda.

Serginho Groisman5750

Serginho Groisman aprova esse post

Eu não tenho como saber o que vai acontecer num futuro próximo. A verdade é que, graças a jesus, tomamos caminhos diferentes (imagina a gente estudando em Vancouver agora adsusaduhasdhu). E não tem como dizer se nós vamos estar presentes no momento das respectivas mortes (embora eu tenho quase certeza de que apenas um de nós conseguiria isso).

Porque, veja bem, os últimos churrascos (é engraçado que essa nomenclatura na maior parte das vezes era equivocada né) tiveram um feeling nostálgico. Cedo ou tarde caíamos no assunto “passado” e era um suplício para sair dele. E você não sabe como é tentador começar a enumerar as piadas internas, as situações e tudo mais. Eu mesmo já fiz isso através do texto. Mas você reclamou que eles eram muito longos, né. Vamos lá.

VFS-Logo

Vancouver Film School. UHDSAUHDSAUHSDAUHSDAUHDASUHSDA

O objetivo do texto era dizer que, porra, eu fiquei orgulhoso para caralho de te ver dirigindo. E dar o braço a torcer de vez em relação àquela discussão ferrenha que a gente teve uns anos atrás sobre o egoísmo humano. Porque ele explica de certa forma esse orgulho que eu sinto. Eu vejo em você um reflexo da mudança que eu mesmo sofri nos últimos anos. E gosto da ideia de ter sido parcialmente responsável pela sua, ou qualquer coisa que o valha.

Não é apenas dirigir, que francamente não significa tanto para mim, mas foi a ideia atribuída a isso. É uma carga que inclui você estar fazendo um curso que te satisfaz na universidade (e daí eu vou lá e mando mensagem “O Magno tá pirando falando sobre planos” uhdashuasduhsda. Eu estava interessado, okay, só achei engraçada sua empolgação. E fiquei feliz por isso). Inclui você ter amadurecido. Em breve você vai morar sozinho e se você fritar bifes com tomate na chapa todo dia, dificilmente vai passar fome.

Mano, não esqueça as coisas que a psicóloga te disse (e que eu já esqueci) naquele seu teste vocacional. Não perca essa porra de curiosidade, não perca a vontade de questionar as coisas, não perca coisas pelo caminho. Eu sei que o final dessa quest da vida é uma bosta. A melhor metáfora que eu consigo pensar é que ela é como um supermercado cheio de coisas fodas. Você pega uma cestinha, mas tem tanta coisa incrível que resolve pegar um carrinho. Porra, depois de encher quatro carrinhos você chega ao caixa e ele te diz que não aceita cartão. Você só tinha cartão. E daí o caixa te dá um tiro, claro.

0612-woman-spilled-soup_sm

Uma outra metáfora para a vida

Mas a verdade é que mesmo sem um propósito egoístico, pode acontecer de você encontrar uma pessoa aleatória no mercado (tipo eu). E trocar os bagulhos de dentro do carrinho comigo. E quem sabe eu tenha um filho e pegue o boné de espuma (que troquei com você no corredor dos Assuntos Metafísicos – um corredor que achamos bem idiota – no supermercado Life) e troque com mais outras pessoas. Eventualmente alguém faça desse boné algo que voltará às prateleiras do supermercado. É a coisa mais sensata, em termos de propósito, que eu enxergo na vida. E a maneira mais fácil de causar esse efeito é manter suas cestas sempre cheias. Apesar de eu sugerir você evitar o corredor de Assuntos Metafísicos, interaja com as pessoas das filas do caixa e do açougue, porque isso também ajuda no único propósito maior que eu enxergo para a vida.

HandshakeInTheStreetMagno depois de muitos anos se tornou um profissional de sucesso. Mas ele ainda ama encontrar pessoas na rua.

Sei que isso não é problema para você. Mas espero que dê tudo certo aí na sua jornada pelo supermercado. Que você construa prédios verticalmente estáveis. Que você cuide da sua saúde (mental, ainda mais se você eventualmente me pagar por isso). Que você sempre tenha dinheiro suficiente (de preferência mais que isso). Quando eu vim para Joinville eu era aquela coisa assustadoramente medonha que você conheceu. E parte grande de quem eu sou hoje (para bem ou ruim) é sua culpa. Como é bom se livrar dela.

E isso vale mais do que nossa principal divergência (sobre se música eletrônica é música ou não – asuhdusdahudsh, você sabe que é brincadeira).

sasha on knees praying

O pessoal que frequenta o corredor de Assuntos Metafísicos é meio esquisito

Anúncios

Era melhor ter falado de espelhos

Primeiramente, gostaria de informar aos leitores, inexistentes, que esse blog é uma extensão do Before the Beginning, embora seja inútil clicar, atualmente, porque a hospedagem de tal site encontra-se com problemas de crédito. Com a inadimplência deste senhorio que vos escreve, o blog foi posto abaixo. Como minha vontade de escrever besteiras urge no momento, tomei a decisão mais ao alcance: criei um blog grátis no WordPress.

É assim que a vida funciona, às vezes. Não queremos ir ao outro lado da rua e pagar módicos cinco reais por um serviço de hospedagem. Assim como não queremos fazer sexo ou simplesmente viver. E, nós, constantemente usamos de desculpas para simplesmente fazer o que queremos, ou melhor, não fazer.

A minha desculpa, atualmente, é a chuva. E o fato de que são três e vinte da manhã. O banco, além de fechado, só processaria meu depósito amanhã. O que é uma droga.

Mas não é sobre isso que gostaria de dissertar, embora o verbo não seja, por conceito, correto, caralho, vocês entenderam o recado. O fato é que, nos últimos tempos, estive mal com um punhado de situações, er… desagradáveis. E durante esse período senti, de modo quase constante, uma irritação no estômago, uma espécie de enjoo, azia.

Novamente, como o que ela é, a literatura vem imitando a vida e eu me lembrei do Orgulho e Preconceito e Zumbis. Não, eu não li o original da Austen. Não, eu não acho que os zumbis tenham sido uma adição positiva (isso não é uma redundância). É possível notar, sem nunca ter lido o original, as partes somadas ou modificadas. No entanto, não é um review.

Acredito que se trata de um elemento do livro da Jane Austen, mas, se não for, isso não é o mais importante. Uma das personagens tem uma relação estranha com o bacio da privada e momentos de angústia e mal estar psicológico. A moça põe suas refeições para fora em via oral quando as coisas não vão muito bem. Essa relação com o mal estar estomacal, embora não chegue a ser tão extrema, acontece comigo.

Provavelmente Freud tem uma explicação plausível, envolvendo a tensão sexual e a relação entre o complexo de frustração com o desmamar, portanto, a aversão ao próprio alimento causa uma tentativa de liberação do Id na forma de ânsia e azia, BRINCADEIRA PSICÓLOGOS, e alguma tia sua vai falar que isso é encosto. Caramba, eu não quero chegar às vias de fato (eu tive que googlar o termo e, mesmo após a pesquisa, não tenho certeza se ele cabe à situação). Então, vou reescrever: eu não quero factóides, eu quero explorar a questão, sem pontuar respostas finais, como eu SEMPRE faço quando escrevo esse tipo de texto.

Estar com azia é um sintoma excessivamente ruim para mim. Tenho medo de que, se contivesse HIV, eu tomaria Eno sem muito pestanejo, caso precisasse aliviar minha azia. Acho que aquele medicamento é o mais próximo que eu posso chegar de um orgasmo estomacal. Céus. O que eu estou escrevendo?

O mal estar é, no meu caso, em partes psicológico. Isso porque eu meio que não me importei tanto para com minha alimentação nesses dias de depressão profunda (calma, o Entei no meu perfil do Facebook mostra que está tudo bem agora). Mesmo assim, já aconteceu outras vezes. Uma vozinha na minha cabeça está me xingando nesse momento. Isso porque eu estou abandonando o invólucro do cientifismo e, parecendo uma tia velha, falando sem nenhuma propriedade sobre um fenômeno facilmente explicável (por alguém que o entenda). Então, vamos ser todos tias e passar a ler as mãos de todos.

O único fato dessa história toda, é que é realmente interessante acompanhar a relação entre o físico e o emocional (embora eu discorde dessa segregação, justamente pelo que a antecedeu na frase). Acho que era melhor eu ter falado de espelhos.